segunda-feira, 26 de julho de 2010

Recuperação económica! ou não?


As principais economias mundiais, no início do ano deram sinais de recuperação económica, mas com o correr dos tempos as expectativas vão-se gorando. Assim já se prevê que nos próximos tempos o crescimento vai ser mais lento, revisto agora para 3,25% ao ano.
A diminuição do consumo essencialmente nos EUA, assim como as medidas económicas adoptadas pelos países da União Europeia, com restrições orçamentais, por forma, a reduzir o défice abaixo dos 3% do PIB, levando a baixa de produção chinesa e outros países essencialmente asiáticos, fazendo que tudo isto limite o crescimento económico. Claro que o perigo essencial disto será a continuação do desemprego, que não dará tréguas, assim como a politica dos empréstimos bancários a impedir a corrida ao crédito fácil, que fará com que as pessoas sintam menos dinheiro nos bolsos, logo se tornem menos gastadoras.
Conclusão sem dinheiro ou sem poder de compra, quer por falta de trabalho ou por desconfiança dos bancos que se deparam com a crise do crédito malparado, a economia não vai poder crescer ainda por cima com a divida soberana dos países que não vai parar de crescer. Sem isto resolvido não haverá recuperação. Venha quem vier contar as histórias que quiser. Vai ser necessário uma nova politica, que garanta poder de compra a quem não tem e trabalho a quem precisa. Ou melhor, a cada um segundo as suas necessidades. Mas até que descubram isto, muito água vai correr debaixo da ponte. Muita fominha teremos que passar, digamos assim.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Depressão de 1929/crash dos nossos tempos





A depressão de 1929, teve a ver com a euforia vivida nos anos 20. Os factores essenciais foram a superprodução e a euforia gastadora, facilitada pelo crédito fácil de então, conjugado com os lucros dos negócios e da bolsa de então.
Numa data em que nos EUA nove em cada dez famílias tinham um carro novo (os celebres Ford), em que as donas de casa passaram a ter máquinas de lavar roupa, grafonolas entre outras coisas do momento, com as mulheres a emanciparem-se e começavam a divertir com os homens em festanças sem fim.
Uma época áurea provocada pelo acesso ao crédito de forma a incentivar o consumo e aumentar a produção, mas com a queda da bolsa de valores de forma drástica a trair toda a euforia.
Tal como nesse dia do crash (quinta feira negra) assim se teme o mesmo a todo o momento, onde se começa a viver momentos de pânico nos tempos que correm.
Nessa altura perderam-se milhões da noite para o dia, num sinal tal como agora, que já vinha sendo anunciado mas ninguém levava a sério. Os sintomas foram sentidos no mundo inteiro, excepção aos países pouco industrializados, tal como agora se nota nos chamados países emergentes chamados de “BRICs” (por enquanto) que deram um salto e se desenvolveram.
Nessa altura apareceram os regimes ditatoriais (Hitler, Mussolini, etc) tal como agora se adverte desse perigo e que levou à 2ª. Guerra Mundial.
Houve causas para essa crise além das referidas, como o uso em Inglaterra novamente do ouro como moeda padrão que levou à deflação, o colapso do comércio internacional, o aumento de impostos, etc. Mas fundamentalmente o desajuste entre produção, consumo e crédito. Tudo isto rebentou com o sistema monetário em todo o mundo desenvolvido. Há ainda quem advogue que a maior causa foi a politica de reservas monetárias, que levou a uma grande redução das suas reservas por parte da Reserva Federal Americana, para travar a inflação e que tinha começado com deflação, mas que não resultou.
A queda do valor das acções deixou muita gente depenada, que foi obrigada a cortar nos gastos, aumentando assim a crise, por falta de compradores para os produtos, levando ao desemprego. Os que tinham empréstimos reduziram onde puderam. Depois voltaram as altas taxas de juro que mataram o resto, que se arrastaram aos outros países até ao definhamento total.
Faliram milhares de Bancos por não reaverem os empréstimos e valores investidos, empresas fechadas, despedimentos em massa e redução dos salários. Isto arrastou-se à agricultura, com agricultores desesperados sem serem capaz de pagar os empréstimos e a falirem também.
Para tentar debelar o mal, usou-se o proteccionismo económico com impostos às importações, aumentou-se os impostos às pessoas. Noutros países reagiu-se igual e tudo isto levou ao desemprego de cerca de 20 a 30% no geral a baixa salarial generalizada e redução drástica na produção e diminuição dos valor dos produtos no geral, tanto alimentação como outros sem ser de 1ª necessidade como aço e automóveis, etc.
Com isto tudo foi necessário grandes medidas de caris social, arranjar formas de emprego como forma de incentivar e regular a economia, criaram-se infra-estruturas necessárias às pessoas (escolas hospitais), instituiu-se o salário mínimo e os limites de carga horária de trabalho, deu-se pensões aos reformados, protegeu-se os trabalhadores e respeitou-se os sindicatos, mas efectivamente a economia só retomaria em força com a 2ª. Guerra Mundial, com a industria bélica e tudo que gira à sua volta.

Tal como nessa data, os governantes de hoje, aumentam impostos, reduzem o investimento, conforme a Inglaterra, EUA, Alemanha, entre outros como os países Asiáticos, o PIB diminuiu a menos de metade, o desemprego disparou, mas a situação socioeconómica só piorou.
Nessa altura, assim como agora, nas grandes cidades as casas eram pagas com empréstimos e as famílias foram forçadas a deixar as suas casas por falta de pagamento das prestações, começando a viver amontoadas, com familiares e a viver em barracas miseravelmente sem dinheiro para comer. Nessa altura até o clima foi severo e houve períodos de secas e invernos rigorosos, tal como agora, que piorou a agricultura. Alguns agricultores falidos entregaram também as terras aos bancos credores, conforme as casas e fugiram para as cidades à procura de modo de vida. Vagueava-se de cidade em cidade à procura de trabalho. O combustível tornou-se caro e os carros viraram carroças puxadas a cavalos.
Veio a descriminação contra os negros, e mulheres com filhos e os emigrantes, apareceram os partidos comunistas em força e os nacionalistas, que acabaram por vingar.
Mas após isto tudo passar os governos e as pessoas ganharam uma nova consciência social.
Agora pensem, há ou não há paralelismo nos nossos tempos com os tempos de então?
Os sintomas são os mesmos, só que desta vez ainda não sucumbimos, porque como eles dizem “os tempos são outros”, “o mercado tem mecanismos mais eficazes” blá blá blá. Pois mas a única diferença é que nessa altura deixou-se ir os bancos à falência. Agora salvou-se os bancos para deixar irem os próprios estados. È isto mesmo a divida Soberana dos Países que agora se fala, é a pré-falência, falta só um empurrãozinho e nós já estamos a dar o nosso contributo infelizmente. Basta esperar, não sei até quando, mas não deve faltar muito.
Mas tal após a crise dos anos 30, ganhou-se uma nova consciencialização e tal como nessa altura está para acontecer a qualquer momento uma mudança na forma de estar e pensar nas pessoas. O dinheiro terá outro sentido também com a falência do sistema bancário. Com o caos mundial a terra vai ter outro valor, pois dela dependeremos, mas aumenta o companheirismo e a solidariedade e o desapego aos bens materiais o altruísmo etc.
Assim espero porque se vence a parte má, vai ser medonho!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Teorias de Sócrates


“O mundo mudou” diz José Sócrates. Grande teoria! Habilidade era dizer que o mundo vai mudar. Mas esta gente não enxerga a dois dedos do nariz. “Um ataque sistémico ao euro” continua ele. “Se não tomasse estas medidas a recessão instalava-se, por causa da desconfiança da divida soberana nacional”. Diz ainda “depois da 2ª. Guerra Mundial, esta é a maior crise de sempre”. Mas também afirma que saímos da recessão técnica neste 3º trimestre.
Mas na entrevista de ontem no Canal 1, os jornalistas ainda retorquiram, que o crescimento era medíocre e só há crescimento concretizado a partir 2%.
O 1º. Ministro parece não perceber da dívida actual, nem da do futuro. Feita com obras essencialmente de alcatrão e que serão pagas a longo prazo. Ao que parece essas dívidas das gerações futuras serão pagas a partir de 2013. Sendo assim como vamos sair da crise, se temos uma divida colossal e prestes a disparar ainda mais a partir dessa data.
Mas tudo estaria bem se a crise fosse nacional, se fosse só Portugal à beira da falência. O problema, são os outros países, tanto da zona euro, ou não. O problema é que a crise é sistémica, a dívida soberana é de tantos países como França, Bélgica, Inglaterra, EUA, mesmo a Alemanha, bem como Japão entre outros. Não é só os “PIGS”, são estes e mais uma grande maioria dos Países desenvolvidos. Só que ainda ninguém fala neles, mas vão ter que falar. Agora só falam de nós porque temos um rácio de produtividade muito baixo, comparativamente com esses países, que antigamente se resolvia com a desvalorização do escudo, de forma a equilibrar a balança de transacções.
Portanto todos devem, só que nós não somos competitivos, mas a culpa é dos empresários portugueses essencialmente, que pensam no lucro do momento e não investem em modernização.
Esta crise vai levar à desgraça da população.
O 1º Ministro falta sistematicamente à verdade, enrola as conversas e faz criar ideias de que vai tudo bem quando é precisamente o contrário. Esconde a miséria e realça os pormenores falíveis.
Aumenta impostos, não reduz as despesas essenciais do estado, como os pagamentos a Gabinetes de Estudos, de Projectos, Conselheiros Técnicos, Pareceres, Institutos, etc.
Mas afirma “não se pode viver na base do medo”, como se o que ele apresenta não fossem expectativas alucinadas onde se engana e esconde a realidade.
Este saque aos portugueses é o início de tantos outros que virão.
A haver financiamento exterior, será essencialmente emitindo dívida pública, para pagar outra dívida pública, que vai vencendo, mas com juros cada vez mais altos e será sempre um garrote por causa da desconfiança.
Agora a duvida é, ou se corta nas grandes obras, ou investe no futuro do País como TGV e Aeroporto.
E eu digo, que vão atrás dos que fizeram fortunas nas anteriores obras, nas derrapagens dos Projectos megalómanos e pagos exorbitantemente, como foi já o Centro Cultural de Belém ou a casa da Musica, ou a ponte de Coimbra ou todos os outros, claro!
Esta crise tem uma teoria que não é Socrática, chama-se “pescadinha de rabo na boca”, havemos de voltar sempre à crise, ou seja… não há volta a dar. Não se pode financiar grandes obras se não houver bancos a dar o aval. Se o estrangeiro não confia em nós, não empresta, então não haverá obras. Haverá mais desemprego e estagnação, haverá mais impostos, etc.
Ninguém vai querer para já esta crise, por isso a solução seria inundar os países aflitos com mais moeda, conforme fizeram aos bancos, mas isso terá consequências, como já falei há uns tempos aqui.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

NACIONALISMO! VEM AÍ.



A dívida que o país tem no estrangeiro, não vai permitir fazer grande coisa no Orçamento de Estado. Será necessário um esforço herculeano para equilibrar a divida ao estrangeiro, que já não empresta nem confia na nossa politica.
Não é só a divida pública como querem fazer crer! O calote estende-se às empresas como a P.T. a EDP, a Banca (dos Mexias e Jardins Gonçalves a ganhar milhões) a serem também responsáveis pela divida ao estrangeiro. Não tardará, as agências de “Rating” a pronunciar-se sobre o excesso de endividamento das empresas portuguesas no exterior e não esqueçamos da divida das famílias, aliciados pelo crédito fácil dos cartões de plástico que com o seu “magnetismo” resolviam as cobiça desmedida das pessoas.
O Ministro das finanças, não espera grandes reacções do povo português, porque estes ditosos anos, alimentaram-lhes o ego, dando-lhes cursos superiores “às três pancadas”, o 12º ano e as novas oportunidades e os portugas, sentem-se felizes.
Ora os doutores não se revoltam, não se manifestam, nem mostram indignação. Ficam irracionalmente taciturnos e acreditam que a culpa vem só da crise lá de fora. Mas cuidado, um país embrutecido, pode reparar nos acontecimentos da Grécia, de um qualquer Golpe de Estado na vizinha Espanha, que acabe com a Democracia.
Portanto o Sr. Engenheiro Sócrates, não pense que pode continuar a desculpar-se com mentiras atrás de mentiras, arrastando o país inteiro para uma indigna pobreza, em que acabem a roubarem-se uns aos outros a tentar esconder a pobreza e as necessidades do “pão para boca”.
O Estado e a Segurança Social não vão ser capaz de acudir a tanta pelintrice. Mas nós não saberemos revoltar-nos contra estes afortunados do sistema, tanto políticos como seus pares que com eles comungam e levam ao completo definhamento dos excluídos, sendo eles os novos nababos que do “25 de Abril” se aproveitaram e desprovidos de moral e ética se enlearam em negociatas e nepotismos. Para estes sim, valeu esta sociedade global, na qual se acoitam e se desculpam, mas para a qual foram fervorosos contribuintes.
Viva o Primeiro Ministro, viva a Coca-Cola, vivam os aumentos dos impostos, viva a todos português, que assistem a isto serenos e distraídos, com futebóis, Papas e outros mais.
Morra a estupidez, que não enxerga que o mal vem de longe e não se sabia que a falência tinha mesmo que acontecer.
Não se esqueçam de uma coisa! Quando os juros dispararem e a inflação for incontrolável, em vez de irem atrás dos verdadeiros responsáveis, vão atrás dos ciganos, dos negros, dos romenos, dos brasileiros, dos imigrantes trazidos na época de prosperidade, acusem-nos de fazerem diminuir os salários, de terem habitação social, de receberem subsídios e levarem à falência a segurança social e fundo de desemprego, de roubarem empregos e aumentarem a criminalidade. Vão atrás deles, corram com eles e culpem-nos da nossa desgraça e deixem ficar os responsáveis a rirem-se e a mostrar solidariedade com a nossa estupidez e burrice. Tornem-se Nacionalistas.

sábado, 27 de março de 2010

Assim vai a Nação

Surge Janeiro frio e pardacento,
Descem da serra os lobos ao povoado;
Assentam-se os fantoches em São Bento
E o Decreto da fome é publicado.

Edita-se a novela do Orçamento;
Cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres do novo parlamento
Usufruem seis contos de ordenado.

E enquanto à fome o povo se estiola,
Certo santo pupilo de Loyola,
Mistura de judeu e de vilão,

Também faz o pequeno "sacrifício"
De trinta contos - só! - por seu ofício
Receber, a bem dele... e da nação.


JOSÉ RÉGIO
Soneto (quase inédito), escrito em 1969 no dia de uma reunião de antigos alunos.
Tão actual em 1969, como hoje..

terça-feira, 23 de março de 2010

TEORIAS DE RUA: Vem aí a bancarrota? Claro!

TEORIAS DE RUA: Vem aí a bancarrota? Claro!

Vem aí a bancarrota? Claro!


Nova fase da crise: risco de bancarrota
O economista Kenneth Rogoff afirma que, se a história económica dos últimos 200 anos serve de padrão, há o risco desta grave crise financeira preceder uma crise da dívida soberana em países em situação de endividamento mais grave

A evidência histórica confirma que há uma correlação muito forte entre crises bancárias e bancarrotas de países afectados, quer no caso de países ricos como emergentes.
As crises bancárias em geral precedem as crises de dívida soberana - aliás, ajudam a predizê-las, afirma o professor de Economia Kenneth Rogoff, da Universidade de Harvard, que tem trabalhado com Carmen Reinhart, da Universidade de Maryland, na história económica e financeira dos últimos 200 anos.
Num estudo recente, intitulado "From Financial Crash to Debt Crisis", publicado, na semana passada, nos artigos científicos (working papers) do National Bureau of Economic Research americano, os dois economistas recordam que entre 1800 e 2009 ocorreram 290 crises bancárias e 209 bancarrotas (defaults, na designação técnica anglo-saxónica) de dívidas soberanas em 70 países ricos, emergentes e em desenvolvimento, abrangendo África, Ásia, Europa, América Latina, América do Norte e Oceânia, que analisaram.
Uma média de uma bancarrota por ano e de quase uma e meia crises bancárias por ano. Estamos, por isso, confrontados com um padrão histórico e não com uma anomalia bizarra. "A história económica sugere que os responsáveis governamentais não deverão estar excessivamente empolgados pelo facto de não ter havido grandes incumprimentos de dívida entre 2003 e 2007, depois da vaga de defaults das duas décadas anteriores. Dado que essas vagas estão normalmente separadas por muitos anos, mesmo décadas, não há qualquer razão para supor que as bancarrotas em série estão mortas", refere Rogoff.
Quatro vagas históricas

Apesar desta média anual, as bancarrotas de países concentraram-se a partir de 1820 em quatro vagas.
Uma primeira nas décadas de 1820 a 1840; uma segunda nas décadas de 1870 a 1890, na sequência de crises financeiras graves em 1873 e 1890/1892; uma terceira nas décadas de 1930 e 1950, um período que congrega o pânico financeiro de 1929/1932, a Grande Depressão de 1930 a 1932 (uma quebra acumulada do PIB mundial de 18,7%), a 2ª Guerra Mundial e o pós-guerra de Reconstrução; e uma quarta nas décadas de 1980 e 1990, na sequência de crises financeiras regionais graves (como a crise asiática de 1997-1998) ou crises financeiras sérias em países como os EUA em 1984, a Itália em 1990, o Reino Unido, a Suécia e a Grécia em 1991, o Japão em 1992 e a Rússia e o Brasil em 1998.
Esta análise histórica é suportada num trabalho caso a caso desenvolvido por Carmen Reinhart em "This time is different Chartbook: Country histories on debt, default, and financial crisis", também, publicado, agora, pelo NBER.
Rogoff deixa no ar a hipótese de uma quinta vaga nas primeiras décadas do século XXI, na sequência da actual crise financeira global, de que os casos islandês e do Dubai teriam sido primeiros sinais.
No caso dos três países europeus com mais bancarrotas externas ao longo da história dos últimos séculos, Rogoff e Reinhart analisaram os casos espanhol, português e grego (neste caso, a partir da Independência do país em relação ao império turco-otomano). O efeito mais prolongado (quase um século), apesar de um baixo número de episódios de incumprimento ou renegociação (apenas 5) da dívida externa, deu-se na Grécia. As bancarrotas externas espanholas (o maior número, 12) ocorreram durante a dinastia filipina na concretização do seu projecto imperial mundial no século XVI e depois do período das guerras napoleónicas no séc. XIX. No caso português, houve uma bancarrota externa em 1560 na vigência da regência da viúva de João III, durante a crise do projecto imperial português, e, depois, outras quatro (1828; 1837-1841; 1850-1856; 1892-1901), no século XIX, desde o miguelismo até à crise final da monarquia (ver quadro neste link ).
Bomba ao retardador

Uma das observações que Rogoff faz sobre o risco actual de bancarrotas é que ele poderá irromper em série, subitamente, nos designados países ricos neste início do século XXI. Essa é a novidade.
O problema estrutural reside no peso da dívida externa total (pública e privada) que atingiu rácios superiores a 100% em relação à riqueza criada anualmente (Produto interno bruto, PIB) em diversos países ricos, com destaque para os europeus, com o caso extremo da Irlanda (mais de 1000%!), seguida da Islândia (mais de 900%), Reino Unido (mais de 400%), Holanda (mais de 300%), Bélgica (quase 300%) e Suíça (mais de 270%), segundo os dados comparativos fornecidos pelo CIA World Fact Book 2010, com dados relativos a 30 de Junho de 2009. Portugal vem logo a seguir, em 8º lugar (com 230%), no clube de risco dos 25 países desenvolvidos com mais elevada dívida externa total em relação ao PIB (ver quadro) .
Os dados oficiais mais recentes do Banco de Portugal, relativos ao final de Setembro de 2009, apontam, no caso português, para uma dívida externa de 367,5 mil milhões de euros, ou seja 223% em relação ao PIB estimado para 2009. O que não altera a posição no ranking referido.
A "bomba ao retardador" de que a revista Time falava há 25 anos atrás "deslocou-se" geograficamente dos países em desenvolvimento para os ricos.
Nos anos 1980, quatro países da América Latina - Argentina, Brasil, México e Venezuela - concentravam metade da dívida externa mundial. Hoje esse lugar é ocupado por três países ricos: Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha (ver quadro ).
Mudança geoestratégica

Os EUA passaram, desde 1985, a ser o principal tomador de empréstimos internacionais e apenas sete países da União Europeia - Reino Unido, Alemanha, França, Holanda, Espanha, Irlanda e Bélgica - detém hoje mais de 50% da dívida total mundial. O que correspondeu ao início de uma nova vaga de financeirização, que o economista francês Charles Goldfinger denominou de "era da geofinança".
Os quatro países latino-americanos referidos representam, agora, apenas, 1% da dívida externa (pública e privada) mundial. Rogoff refere que o rácio médio entre a dívida externa pública e o PIB de 22 países ricos mais do que duplicou entre 1980 e 2009.
O economista francês François Heisbourg, presidente do International Institute for Strategic Studies, considera esta mudança uma transformação geoestratégica decisiva na economia mundial.
No entanto, este padrão de defaults em países ricos não é uma estreia histórica. Nos países ricos, pertencentes à amostra seguida por Carmen Reinhart, no Chartbook que referimos, quase todos revelam "um historial impressionante de crises externas, particularmente entre as décadas de 1880 e 1930".
O caso grego (apesar de ter uma dívida total em percentagem do PIB inferior aos 13 primeiros e inclusive à portuguesa) despoletou-se, subitamente, em virtude da perda de confiança nas estatísticas oficiais que haviam "maquilhado" a dívida externa (que "baixou" 72% entre 2007 e 2008!), bem como o défice público pelo governo anterior de direita chefiado por Kostas Karamanlis, perda de confiança que foi aproveitada pelos especuladores para um ataque à zona euro.
Aviso da Moody's aos EUA e Reino Unido

Apesar dos holofotes estarem concentrados sobre a Grécia e os outros designados PIGS, a agência de notação Moody's, através do seu serviço Investors Service, avisou em meados deste mês que os Estados Unidos e o Reino Unido poderão estar "substancialmente" perto de perderem a sua notação triplo A (a mais elevada). A nota da agência de rating afirmava que as notações estavam "estáveis" por agora, mas que a sua distância em relação a uma despromoção (downgrade) "diminui substancialmente".
Qualquer fagulha, inesperada, sublinha Kenneth Rogoff, poderá incendiar este panorama estrutural no seio dos ricos. Com uma agravante: em caso de recaída na recessão mundial, a margem de manobra para políticas anticrise nestes países desenvolvidos será muito "mais curta" do que em 2007-2009, sublinha Philippe Trainar, economista-chefe da sociedade resseguradora SCOR e que pertenceu ao gabinete de previsão do ministério da Economia e Finanças francês.
Adaptado


Este artigo foi retirado hoje do "Exame Expresso" e porque o acho super oportuno e estar em linha com o meu pensamento, me dei ao atrevimento de o "plagiar".

Essencialmente porque acho que mais cedo ou mais tarde vai acontecer. Espero que seja mais tarde do que cedo, mas não me parece que demore.

Se o quiserem ler na forma original está nesse sitio da internet e tem o autor.

Jorge Nascimento Rodrigues
15:28 Terça-feira, 23 de Mar de 2010