sexta-feira, 23 de novembro de 2012

AS POLÉMICAS DA MANIFESTAÇÃO DE 14 NOVEMBRO

Quando após conhecimento do sucedido na Assembleia da República e visto aquelas imagens, muitos comentámos aquilo. Uma das coisas que me foi dito e perguntado a opinião, foi a demora de cerca de hora e meia da PSP para intervir e pôr termo aquela selvajaria. Eu respondi, que se demoraram esse tempo é porque algum trabalho estavam (PSP) a fazer. Pensava eu que no meio dessa gentalha estariam dissimulados profissionais com o intuito de fazer a respectiva recolha de informação. Pois comenta-se que existe na PSP e não só especialista para esses e outros fins. Portanto essa demora teria esse propósito de assinalar os desordeiros.

Mas pronto, isso passou e a maioria esmagadora elogiou a actuação da PSP e tudo parecia resolvido, apesar das contestações de que os desordeiros teriam acabado por encobrir as razões e objectivos de tamanha manifestação. O que é certo é que se acontecesse só a manifestação sem mais nada, ela já se tinha esquecido e assim mantêm-se na baila. Protestou-se que foi intencional, mas vejamos que a culpa além de muitas vezes ser das televisões ou mesmo de alguns governos que controlam a informação, eu penso que na essência o problema reside nas pessoas, que só ligam a revelações mediáticas e aparatosas esquecendo de ver na sua ignorância a essência do que os deve preocupar.

Mas voltando à carga, não a “carga policial” mas sim à força de expressão, tentei entender o que realmente se passou, já que no rescaldo muito se diz relativamente às imagens em bruto cedidas pela RTP e pedidas a outras televisões, que já levou à demissão do director de informação e vai levar a um inquérito para apurar resultados, esperando-se por mais desenvolvimentos.

Assim o que alcancei, foi que a PSP usou da devida prudência relativamente aos contestatários, que ali ficaram após a manifestação e que realmente foi louvável tal contenção, suportando no que as imagens relatam bem.

Uma potência controlada, administrando a situação, com bom senso, e intervindo por ser necessário evitar destruição e danos materiais na via pública e a terceiros, que se poderiam tornar mais graves se assim não se procedesse.

Deixaram-se guiar pela intuição, mas as imagens, estas sim as da polémica a tais em bruto, ajudam a analisar o que se passou e o que falhou quanto à actuação e comportamento dos contestatários e seu reconhecimento, assinalá-los e identificá-los. Porque falhou-se aí, e todos sabem das polémicas às detenções entre outras coisas.

Essas imagens que agora se falam que foram pedidas, tem a ver com a vontade de controlar e assinalar os contestatários ali presentes, para ter tudo nas mãos. Para que se tenha controlo e sucesso quanto a essa gente e saber quem são essencialmente.

Naturalmente que por aqui passa o sucesso das polícias, mas agora a pergunta que se coloca é! Não haverá um certo défice de princípios ou algum abuso de autoridade? Um contornar a legalidade instituída pela Constituição da República e demais leis do Estado e arriscarem-se a suportar uma vergonha, receber más notícias e sofrer desilusões? Tornarem-se o bode expiatório? Porque as pessoas vão querer saber disso!

Cada vez é mais difícil esconder as coisas e mal se faz, mais rápido se divulga o que se faz e sobressai logo o erro, esquecendo-se tudo o resto. Parece que foi o que aqui aconteceu e agora basta esperar pelas averiguações, porque isto vai ter responsáveis.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Greve dos Estivadores

Diz o representante dos estivadores, que não recuaram nas conversações e para abdicar, mais vale tudo continuar como está. E assim continua este braço de ferro entre entidades e sindicatos. E o Governo de braços cruzados entre o sem saber o que fazer e o nada fazer, apesar de já se pedir a requisição civil.


Será que se fosse outro sindicato ligado a uma Central Sindical o Governo já teria feito alguma coisa?

Ora os vencimentos são chorudos destes senhores, ao que dizem são dos mais bem pagos no País, e contra eles pouco ou nada se diz a não ser, tentar e esperar a que se chegue a algum acordo. E entretanto a greve continua.

Consta-se que em tempos de reivindicação encontraram abrigo junto de um certo ministro, pertencente a um partido do governo Nessa altura conseguiram a troco de apoios e contrapartidas as regalias que possuem hoje. E como possivelmente esses laços ainda se mantêm, e nunca se sabe onde “há gato”, a greve "nem ata nem desata". E quem perde com isso são alguns empresários que precisam mesmo de exportar ou importar, dependendo da situação, enquanto estes senhores, uma meia dúzia de "gatos pingados", a forma de se tentarem fazer ouvir é juntarem-se a outras manifestações e irem à boleia, acabando na sua maioria por mostrar a sua ordinarice como a de baixar as calças na Assembleia da República.

Mas no meio disto, aquilo que mais me intriga é que realmente depois de tantas queixas dos empresários, é como o governo vai gerindo esta situação! Será que lhe dá um jeitão argumentarem que as exportações baixaram por causa da greve dos estivadores? Será que esse é o fundamento que vão continuar a usar? Será que os estivadores andam a fazer um jeito ao governo para disfarçar a grande queda nas exportações, que era a única bandeira deste governo que agora caiu?

Já parece uma greve combinada! Pelo menos, desculpas já tem para a crise, cada vez maior e sem solução.

Sendo assim viva a greve dos estivadores, e salve-se o governo.



sexta-feira, 19 de outubro de 2012

SINDICALISMO – HISTÓRIA E REFLEXÕES

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Em Inglaterra vivia-se o ano de 1640, quando Cromwel dirige a 1ª revolução burguesa, que aos poucos se instalou no poder e acumulando capital veio a formar a 1ª revolução industrial no Sec. XVIII. A partir daí o Capitalismo suplantou o Feudalismo, virando a sistema central e a sociedade de então libertou-se do esclavagismo das terras e com a introdução das máquinas suplantou-se a indústria manufactureira. Absorve-se a força de trabalho que advém do burgo criando-se o proletariado. Palavra que vem do latim “prole”, que eram os cidadãos que não tinham mais nada para dar a não ser os seus braços de trabalho, vivendo na miséria porque o patrão só lhes pagava o mínimo para sobreviver. Daí se conjugam dois factores adversos que ainda hoje perduram como é bem visível, proletariado e burguesia, agora suavizado em entidade patronal e colaboradores, embora a relação de exploração continue bem evidente, com as mesmas duas classes bem visíveis.
Desta luta entre a miséria e o lucro, nascem os esforços dos operários para diminuir a exploração e organizam-se naquilo que mais tarde se vem chamar Sindicato. Vindo do francês “Syndic”, que significa representante de uma determinada comunidade.
Tornam-se o foco de resistência à exploração Capitalista, que mais tarde imporá nas suas grandes fábricas de Inglaterra, as jornadas de 16 horas de trabalho diário. Os salários serão ainda mais reduzidos e as condições mais precárias.
            Promove-se os cercos aos campos, expulsando os servos da gleba (servidor/escravo que embora não sendo totalmente livre, tinha direito a permanecer na terra do seu senhorio), para torná-los homens livres, aptos para o trabalho assalariado, atraindo às fábricas mão-de-obra barata.
Com a industrialização a função deixou de ser especializado por artesãos vindos do "burgo" e explorou-se o trabalho de mulheres e crianças, rebaixando ainda mais o trabalho e condições.
Como resultado da maior exploração e com o passar dos anos encontram-se formas de luta como o “Luddismo”, que viu nas máquinas e seus inventores o seu principal inimigo, partindo-as em oposição à industrialização, influenciados pelo operário têxtil de uma oficina de Nottingan, chamado Ned Ludd, que partiu os teares mecânicos. Rapidamente o fenómeno alastrou-se a outras cidades inglesas espalhando-se até França.
Assustaram a burguesia em 1811/12, que logo aprovaram uma lei, com pena de morte a essa gente, mas cedendo na aprovação de sindicatos. Quatro anos volvidos, tornaram a destruir as máquinas e aos poucos o “Luddismo”, foi substituído por jovens operários que aí sim consideraram que o inimigo era o patrão burguês, que fazia uso das máquinas.
Dois séculos depois assistimos a nova revolução industrial/tecnológica. Mas a culpa não é do avanço informático, nem dos Gutenberg’s do nosso tempo. Continua a ser dos mesmos, os donos do capital!
Na altura nasceu o “boicote”, derivado a Sir Boycott, que usava métodos brutais contra os empregados, recusando-se a negociar com eles, acabando por recusarem consumir os seus produtos, o que lhe acarretou enormes prejuízos.
 A partir de França usou-se uma sabotagem, que consistia no uso de tamancos que emperravam as máquinas. Avançou-se de seguida para a greve (place de greve - local onde os operários de Paris, se reunião para a luta maior), que acabou por se espalhar a todo o mundo.
Criaram-se as “trade-unions”, que são obrigadas a agir na clandestinidade, numa espécie de braço armado, para amedrontar os traidores que os denunciavam a polícias e pistoleiros pagos pelos patrões. Dessa forma organizam-se, aumentam os protestos e greves que acarretam muitos prejuízos, obrigando o parlamento inglês em 1824 a aprovar a primeira lei sobre organização sindical.
Em 1830 é fundada a Associação Nacional para a Protecção no Trabalho, em Inglaterra, que reúne as várias profissões. Em 1866 realiza-se o 1º. Congresso Internacional dos Trabalhadores, de vários países, criando-se a AIT – Associação internacional de Trabalhadores. Mas mesmo assim os patrões continuam a obrigar os seus empregados à renúncia sindical, como forma de garantir o emprego. As forças policiais continuam a ser accionadas, deixando um rasto de sangue no movimento sindical. A legislação criada deu rosto aos seus líderes, que são perseguidos, e alguns acabam por ser corrompidos, conforme ainda acontece.
Em 1837/38 reivindica-se o direito a voto. Só em 1875 se substitui na legislação inglesa os termos "amo e servo" para passar a denominar-se "patrão e trabalhador", sendo o primeiro país a faze-lo.
Em Paris o proletariado participa em acções políticas e chega a alcançar o poder, na célebre Comuna de Paris em 1871, que durou apenas cerca de 40 dias de carácter Socialista, tombada pela burguesia, com a ajuda das tropas de Bismarck, que esmagaram o movimento operário, fuzilando-os sumariamente. Durante esses dias de governo pelos sindicalistas, fez-se mais que nos 200 anos antecedentes e entre muitas coisas, aboliu-se o trabalho nocturno, chegou-se a propor jornadas de 8 horas, instituiu-se a igualdade entre sexos, os casamentos passaram a ser grátis e simplificados, aboliu-se a pena de morte, separou-se a igreja do estado, tornou-se a educação gratuita, etc.
O sindicalismo por todo o Sec. XIX, espalhou-se aos vários países do mundo, como Itália, Espanha, EUA e com a legislação e a sua aceitação apareceram as várias correntes sindicais, entre elas a socialista, a anarquista, a reformistas que defendiam a greve como ultimo recurso por serem moderados, que em Inglaterra deram origem ao Partido Trabalhista.
Ainda a referência aos sindicatos ligados ao Comunismo de Marx e Lenine, defendendo as directrizes do mundo operário, o internacionalismo sindical que advogava a participação dos trabalhadores na gestão das empresas e dos seus benefícios. Os católicos ligados às ditaduras fascistas da Europa do Sec. XX, que defendiam os valores cristãos e renegavam o direito à greve, preconizando a harmonia com o patrão, entre outros.
Em Portugal os movimentos sindicais, estiveram sempre ligados àquilo que se passava no resto do mundo.
Em 1822, com a Constituição Liberal e a reforma legislativa de Mouzinho da Silveira, foram extintas as Corporações de Ofícios, e com o Código Penal de 1852, sancionou-se as coligações e as greves.
Com a difusão das ideias do Socialismo, intensificam-se os movimentos associativos, e em 1879 foi criada a Voz do Operário, na luta pelas conquistas do sufrágio universal de então. Instituição que ainda hoje existe, prosseguindo a instrução popular.
Só com a República, em 1910, é que as greves foram consagradas como direitos dos trabalhadores, e em 1911 a Constituição consagrou o direito à associação. Em 1914, reuniu-se o Congresso Operário de Tomar, de onde saiu a União Operária Nacional, transformada no congresso de Coimbra, em 1919 na Confederação Geral do Trabalho. Contrapondo este movimento, de seguida cria-se a Organização do Congresso Patronal, de onde saíram os primeiros sindicatos patronais.
Em 1926, com a instauração da ditadura, o movimento sindical opôs-se, sendo dissolvido consequentemente em 1927. Com a Constituição de 1933 do Estado Novo de Salazar, entregou-se o sindicalismo às estruturas corporativistas da ditadura e perseguiu-se o verdadeiro sindicalismo.
Com o 25 de Abril de 1974, foram restabelecidos os direitos, liberdades e garantias dos trabalhadores e dos sindicatos. Na Constituição da República de 1976 ficou consagrado o direito à greve. A partir daqui a história já é nossa conhecida. A CGTP-IN, reorganizou novamente o sindicalismo a partir dos resistentes à ditadura, e uma outra corrente sindical é criada que ainda hoje difere na sua forma de actuação, que é a UGT.
Quanto ao sindicalismo na PSP, entre 1979 e 1981, é tempo da clandestinidade, com encontros secretos e comunicados. Mas a ASPP/PSP teve o seu verdadeiro inicio numa tarde de Fevereiro de 1982, num prédio desabitado, em Lisboa quando cinco polícias à paisana (guardas António Maurício e José Esteves, subchefes Lapa da Silva e José Carvalho e comissário Joaquim Santinhos) saíram dali assumidos como Comissão Pró-Associação Sindical da PSP (ASP/PSP), na defesa dos direitos dos Polícias. E vem-me à lembrança os comentários ao facto de o Comissário Joaquim Santinhos, ter sido como que deportado para o Comando de Bragança e colocado ao cimo de uma escadaria fria, mais fria que as consciências, sentado à frente de uma secretária sem nada para fazer. A ele a nossa homenagem assim como ao Subchefe José Careira, símbolo da nossa luta, que teve como auge o 21 de Abril de 1989 (os secos e molhados).
A partir desta data, a luta dos polícias pelos direitos ao sindicalismo, não mais pôde ser escondida. A ASP/PSP, era uma realidade incontornável e com ela conquistaram-se o direito à folga semanal, os horários de 36 horas, entre outros. Com a vontade férrea trazida da clandestinidade e com o apoio do sindicalismo nacional e internacional, a CESP, da qual passámos a fazer parte, a ASPP/PSP então só aceite como Associação, legalizou-se inevitavelmente.
Só em Março de 2002, após tantas perseguições, demissões, transferências e processos disciplinares é aprovada a nossa Lei Sindical, sem direito à greve, mas já com outras tendências sindicais formadas que acabaram por se multiplicar nos nossos tempos.
Agora que os tempos voltam a ser difíceis cabe-nos a nós, polícias e não só, ganhar consciência que é necessário prosseguir a luta. Ao lerem este texto verificaram o paralelismo de outrora com os tempos que correm, porque novamente há fome em Portugal, porque a cada 12 segundos morre uma criança com fome no mundo e porque cada vez mais o fosso entre ricos e pobres se agiganta, colocando-nos no limiar da pobreza e pondo em causa a dignidade humana como naquela época aconteceu.
Este é um sinal que o actual modelo económico e social nos conduz à exploração e perda de direitos conquistados, mas a nós cabe-nos alterar este paradigma. Aos sindicatos ainda organizados e com capacidades de intervenção social pede-se que lutem, e que sejam o motor de uma reestruturação no mundo laboral e não só, criando cordilheiras de solidariedade e aliança, que tenham grande potencial mobilizador e reivindicativo, que apoiem as novas formas de contestação a este modelo económico que nos leva para o abismo.
É altura de sermos solidários, e conforme compromisso de honra sob a Bandeira Nacional, entendamos o que ela representa, nos símbolo e valores patrióticos, consagrados na Constituição, onde a soberania nacional impere no povo a quem devemos lealdade democrática.
No momento actual é preciso estar também atento e saber distinguir quais os interesses gerais da sociedade, em contraponto aos interesses particulares da alta finança internacional comandados pela Goldman Sachs, que moldam os políticos actuais, a partir da escola de Chicago e os corrompem ao serviço da concentração do poder financeiro.
O progresso da ciência e do desenvolvimento tecnológico, determina o avanço político, social e económico, por isso este momento de grande salto para a humanidade não se pode tornar num retrocesso civilizacional, e basta que lutemos, organizando-nos. Daí a necessidade da força dos sindicatos para travar este recuo quando a lógica é o progresso social. Sempre que a economia treme o capital tenta o retrocesso, e o movimento sindical deve inverter essa regressão em direcção a maior justiça social, impedindo que sejamos despojados de direitos, e tratados apenas como peças descartáveis nesta engrenagem do lucro que já nem assenta na produção.
A globalização, não nasceu só agora. Apareceu com a máquina a vapor e com as linhas de comunicação transnacionais criadas com a Revolução Industrial, e por isso não podemos deixar que os sistemas informáticos aliados à industrialização e produção, os dot.com, os e.comerce ou e.mail, sirvam de pretexto para nova exploração social, como aconteceu naquele tempo, daí a mesma razão dos sindicatos actuais, aliás ainda maior porque o factor de produção aumentou exponencialmente.
E como vivemos momentos difíceis de aumento desmesurado do desemprego e de mão-de-obra barata, não deixemos que sejamos os novos servos da gleba. Não deixemos que façam orçamentos de estado à base da calculadora, tornando-nos simples números, deixando cair o Estado Social, como se já não fossemos Cidadãos dos direitos conquistados pela Revolução Francesa, rasgando-se tratados sociais como se o Estado já não fossemos afinal nós.
Não deixemos que a economia seja alicerçada de gráficos, de especuladores bolsistas, com base no fibonacci, elliot waves, cdf ou cfd´s, cujo objectivo é manter o lucro numa economia suportada no lodo e não na verdadeira produção, esquecendo as reais necessidades das populações.
Nunca a humanidade deu um salto tão grande como estes últimos 20/30 anos, com novas tecnologias, programas informáticos e científicos. Com isto permitiu-se acumular por um lado fortunas, para as multinacionais, por outro assiste-se ao desemprego e aumento da miséria, quando a riqueza disparou.
Não se deixem enganar por comentadores pagos pelo sistema com argumentos de dívidas públicas colossais, dizendo que se viveu acima das nossas possibilidades e que é necessário baixar ordenados e retirar direitos laborais.
Sem dinheiro nas mãos das pessoas a economia definha. Por isso os ricos não podem continuar a acumular riqueza, porque tudo morre.
Já agora o 1º de Maio, dia do trabalhador é comemorado, porque em 1886, em Chicago, quinhentos mil trabalhadores saíram à rua numa manifestação pacífica, para exigir o trabalho de 8 horas, quando era de 16/17 horas por dia. A polícia à má fé reprimiu os manifestantes ferindo e matando dezenas de trabalhadores.
Mas a luta não parou e agora mais que nunca terá é que continuar.


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

OS BURLÕES DO NOSSO PIB

Sabemos que Portugal tem registado, baixa de salários, perda de poder de compra e aumento de desemprego essencialmente jovem, que é a força de trabalho de um país. Mas para Passos Coelho isso tem que ser assim, para melhorar a economia.
Pois a nossa balança de transacções está a melhorar consideravelmente. E isso é bom para o 1º ministro. Significa também que estão a ser criados os alicerces para que a partir de 2013 as coisas se comecem a compor visto já ter sido tudo cumprido que foi ordenado pela “Troika” e a partir de agora os resultados vão aparecer.
Portanto espera-nos um futuro risonho, segundo ele.
A política de baixar salários e de facilidade de despedimentos vai permitir o aumento de competitividade.
Vamos lá analisar então!
Se Portugal está a perder competitividade segundo as noticias, a ser ultrapassado por países como o Azerbaijão, ou mesmo a Turquia aqui ao lado, como pode então recuperar? 
Se as portas dos bancos se fecham ao financiamento das empresas, se as empresas estrangeiras colocadas em Portugal já estão a retirar o seu lucro de investimentos para os países de origem, secando a economia de provisões financeiras, como poderá Portugal sair da crise sem dinheiro?
Com a deterioração das condições económicas em Portugal, quem se vai lembrar de nós se caminhamos no sentido da Grécia, que mal o dinheiro dos empréstimos ali chega desaparece logo de circulação sem ser investido na economia real?
Assim é impossível haver melhoras!
Sem dinheiro para investir, com pesados juros de dívidas para pagar, com salários cada vez mais indignos, claro está que Portugal não equilibra a balança comercial. 
Sem dinheiro a circular qualquer economia morre.
 E o PIB? E o Défice Orçamental? Que é o que realmente importa!
Como é possível haver um 1º ministro que pense que estrangulando os salários, fomentando o desemprego, e evaporando o dinheiro da economia real consegue equilibrar as contas e fazer um ajustamento comercial?
Conseguir consegue inicialmente, mas destrói o investimento produtivo, e tudo definha ainda mais. Quanto mais definha menos dinheiro se tem, menos se consome, menos se produz e entramos num ciclo em que já nada teremos para comer, nem nada produziremos . 
Chegaremos a um ponto em que teremos de comprar tudo lá fora. E aí sim, sem dinheiro e sem produzirmos nada, não teremos dinheiro para comprar nada, porque entretanto esta politica ruinosa levou-nos à fome e à miséria.
Aí seremos uma espécie de Haiti da Europa, onde nada se produzirá e o pouco que se conseguirá será das ONG’s internacionais, que lá vão dando uns sacos de farinha para sobreviverem, se houver para dar porque o mal vai ser geral.
Uma coisa eu percebi. É fácil equilibrar a balança comercial num país, basta tirar dinheiro ao povo e eles deixam de comprar e como o que consumimos vem tudo lá de fora…está feito. Não se consome, não se importa.
Brutal esta inteligência dos nossos governantes!
O que ninguém entende é que se um país não tem dinheiro, todos fogem de lá, principalmente as empresas estrangeiras. As pessoas perdem os empregos e se alguma coisa era produzido deixa de o ser. 
Deixar de importar artigos supérfluos, carros, ou mesmo aqueles que realmente precisamos, não resolve tudo. Também se deixa de importar maquinarias necessárias e até mesmo novas tecnologias mais competitivas e basta perdermos o nosso “ganha pão”, para não haver salvação.
Seremos um bando de farrapilhas envergonhados, pois então! Por termos acreditado em contadores de histórias. Os burlões de fato e gravata todos bem falantes que acabam por nos levar sempre no conto do vigário.
Não é assim que se apresentam?

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

NEGAÇÃO


     Nos EUA seguram-se as pontas para garantir as eleições de Novembro, e estuda-se novas medidas para 2013.
Reestrutura-se a colossal dívida americana, transformando toda ela em longo prazo, evitando a bancarrota, com taxas de juro mais baixas.
Estuda-se a baixa de juros até próximo dos zero, e lançar um terceiro programa de flexibilização quantitativa (QE3) inundando o mercado com mais uns triliões de dólares (contra a perigosa vontade da China).

   






      Na Europa promete-se fazer tudo para salvar o Euro. Mas negam-se os métodos e medidas para o salvar. Cada país aos poucos vai negando que está falido, mas acabando uns atrás dos outros por o vir a reconhecer.
Mais tarde admitirão que a Europa está falida, para gáudio da (Moodys & Goldman Sachs, etc). Estaremos todos falidos de certa forma, apesar de uns mais que outros. Alguém regozijará com a queda do Euro. Mas também eles negarão que era esse o seu propósito.


    


     O que me incomoda mais no meio deste desmoronamento social e económico é a desfaçatez com que ditos lideres mundiais negam as evidências de cada vez que aparece mais um sinal de fim de linha.

    

segunda-feira, 30 de abril de 2012

SUGAM-NOS O SANGUE COMO $VAMPIROS$




Cavaco Silva convidou todos os cidadãos a participar neste desígnio, de um país de inúmeros aspectos positivos, e que juntem a sua voz na defesa da imagem de Portugal no exterior e criem riqueza e emprego em Portugal. Dito isto na Assembleia do povo, dia 25 de Abril.
Esta é a imagem que temos que dar ao mundo, digamos que, “vão-se os anéis mas ficam os dedos”.
Temos o dever de mostrar que somos um país credível, que ainda temos sol, por enquanto grátis, que a água é pouca, passando a ser um privilégio de alguns, após a privatização. De resto que podemos mostrar mais?
Ah, uma pobreza envergonhada, muitas instituições de Solidariedade Social e claro está, as praias que ainda não pensaram em privatizar, por enquanto.
Tirando isto, Cavaco tem razão, resta-nos a imagem um povo, pronto a trabalhar por umas “cascas de alho”, houvesse ele trabalho, e que devemos mostrar que  tudo toleramos, entre pobres e asnáticos.
Eu até acho que podíamos fazer como já uma empresa sugeriu em Espanha, vender sangue. 
A multinacional de venda de sangue e plasma, de Grifols, quer que se liberalize a venda de sangue em Espanha, permitindo aos desempregados aumento do rendimento, como se faz nos EUA e em muitos países terceiro-mundistas.
Genial! ou Bárbaro? Genial para a ganância do lucro. Bárbaro é matar a fome com ideias miserentas. Com o sangue ou o plasma que a ser vendido a €60 a recolha, uma vez por semana., tipo, vou ali a dar um “Shot”, neste caso de sangue e receber uma senha para uma refeição e uns trocos.
E quando os problemas financeiros forem muitos, em vez de €60 em sangue, pode dar-se um pulmão, um rim, ou outra coisa qualquer. E pronto dá-se por exemplo um braço, pois ele já nem é preciso para trabalhar e ainda se fica com o outro para dar sangue e assim consegue-se pagar a prestação ao banco da hipoteca da casa, e aí evita ir para debaixo da ponte com a família.
Deve dar muito dinheiro um órgão. Até já vi em países muito pobres a fazerem isso e resolvem-se alguns problemas financeiros. E quando já não houver órgãos para dar, dá-se os filhos a adoptar aos donos do dinheiro, como também já se faz agora com o tráfico de crianças. Comer não, não comam os filhotes para matar a fome, porque alem de ser canibalismo a venda de criancinhas rende mais. É assim nos países pobres. Será nisso que nos tornaremos?
Acredito que não! basta dar sangue a €60 e pronto, come-se mal, arrisca-se a alguma doença tipo anemia, mas pronto mata-se a fome na família. Pior é se morre o doador e se acaba a fonte. Ao menos antes de morrer vampire-se o sangue todo e o plasma, que eles pagam, e sempre se aguenta uns tempos até os filhos crescerem para poderem ser eles a vender o seu sangue.
Quando entrámos para a CEE, era uma alegria, receber por cada burro (animal asinino) €55 ao ano de subsidio, agora por dar sangue nós os outros animais já podemos valer €60 à semana. Sempre valemos mais €5 do que qualquer outro burro.
Mas não é isso que devemos mostrar ao mundo, mas sim uma boa imagem e devemos todos participar nesse desígnio nacional, a pedido de Cavaco Silva.
Mostrar que ainda somos um povo com muito para dar, mesmo depois de nos tirarem tudo.
 Bem-haja Sr. Presidente de todos os portugueses.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Polícia em Portugal que futuro?


 A Polícia está em rotura e já ninguém sabe como resolver tanto problema com a falta de dinheiro.
Pior é que isto se vai perpetuar, se não piorar ainda mais, e o Governo sem orçamento que ajude.
Quanto aos Polícias, vão nos próximos tempos ver os seus problemas salariais ser corrigidos a nível de posicionamento nos índices, eliminando uma boa parte das injustiças a esse nível.
Promover-se-ão alguns, por arrastamento na promoção dos Oficiais, mas eles não ficarão a gostar muito das promoções e colocações nos escalões devidos. É que a seguir vão levar com “ajustes salariais” devido à continuação da crise, com o governo a apertar mais ainda o cinto à função pública. Reduções salariais que poderão ir aos 14%, quando até o FMI veio já (ajudando o Governo) dizer que é preciso novos índices remuneratórios em Portugal.
Contas feitas, os Polícias depois das promoções e colocações nos devidos índices, vão levar com ordenados mais baixos por tabela. Aí os Sindicatos, por não terem seguido o rumo certo, vão ter dificuldades e falta de ideias para fazer face a esta contrariedade sem soluções e sem iniciativas para os polícias, cada vez mais descontentes, a exigir mudança de rumo e desacreditados.
Uma gravidade profunda que pode ser o fim de um governo, de uma época, e com um modelo posto em causa.
Algo de novo vai acontecer, mas claro, sempre com tormentos para as pessoas.
Em crise já se está, mas romper com tudo isto, acrescentará mais sofrimento ao sofrido. Mas um novo começo trás sempre muita dor. As situações irão suceder-se umas às outras, pois nada afinal é eterno. Vai ser difícil mas acabará por se vencer as adversidades causadas.