sexta-feira, 10 de maio de 2013

SOMOS TODOS CRIMINOSOS


Correu mundo, a notícia sobre o casal que morreu abraçado no acidente da fábrica de roupas no Bangladesh. Assim como a mulher encontrada ainda viva entre os escombros ao fim de 17 dias.
Tudo isto foi consternante, a tragédia do prédio feito em cinco fábricas, com cerca de 3.000 desgraçados lá dentro, na esmagadora maioria mulheres, que desabou após vários avisos, do risco de ruir que corria.
Matou mais de um milhar de pessoas, e fez mais de 2.400 feridos.
Que horror.
Uma tragédia sem igual em pleno século XXI.
Mas vergonhoso, não foi as mortes sentidas em cada família e na cidade de Daca. Vergonhoso é, as pessoas que sem pudor, se aproveitam da pobreza daquele povo que a soldo de míseros salários (os mais baixos do mundo), são explorados e sujeitos a condições desumanas e inimagináveis para a maioria de nós.
São criminosos, as autoridades daquele país ao permitirem que patrões sem escrúpulos explorem criminosamente aquela gente que sem qualquer outra alternativa são enlatados em pretensas fábricas e escravizados por horas infindáveis diariamente, suportando pressões laborais inaceitáveis nos nossos tempos.
São criminosos os governantes de países ditos desenvolvidos que permitem que se importem produtos ao preço da “uva mijona” com lucros quintuplicados ao quadrado.

São criminosos os empresários que se aproveitam dessa precariedade e se instalam nesses países, como é o caso de empresas que subcontratam o fabrico a criminosos empresários locais, daquelas marcas de roupa como a britânica PRIMARK, ou a espanhola MANGO, entre tantas outras, sem se importarem com mais nada a não ser o chorudo e criminoso lucro.
Claro que os responsáveis, dizem já estar presos e as marcas para limpar a sua imagem de autenticas sanguessugas, vieram a terreiro prometer indemnizar aquelas vidas.
Com que dinheiro?
A preço de uns trocados, que é tanto como o punhado de nada nos lucros infindáveis dessas criminosas multimilionárias marcas, para quem uma vida pouco ou nada vale. E as dores das famílias? Quem vai pagar isso? 
Umas patacas aos pais ou aos filhos soçobrados, que continuarão a amamentar chorudos e criminosos multimilionários que tão pouco se estão importando para esses crimes produzidos.
E nós criminosamente também e indiferentes a estas fábricas desumanas, vamos comprando roupas bonitas mais baratas ou mais caras, mas pouco nos importando da forma criminosa como foram feitas e entretanto apesar do choque da notícia, nem parámos para reflectir e perceber que também somos criminosos.
E esquecida a noticia tudo se passará como dantes e tudo retomará à normal criminalidade exploratória.
Pena é que a notícia de hoje nos jornais são os também já criminosos 310 euros de salário mensal praticados em Portugal.
Aos poucos e poucos criminosamente distraídos vamos permitindo que os nossos governantes tornem este país o Bangladesh da Europa. E aí sim, quando as notícias forem aqui entre nós, a dor será bem mais sofrida. Mas nunca será inocentada, aos olhos de quem não queira ver que tudo isto é crime. Desde uma ponta à outra,  é sempre criminoso ver exploração. Mesmo só de uma pessoa que fosse.
    

quinta-feira, 9 de maio de 2013

BARALHAR, PARTIR E DAR


Ou melhor, confundir espartilhar e tirar.
Após a nega do Tribunal Constitucional, o Governo anunciou que iria tomar medidas para compensar o chumbo da segunda  afronta contra a lei fundamental.
Livramo-nos do roubo dos subsídios de férias, pago no natal, mas não nos livramos de outras medidas, bem mais severas.
Como diz o ditado “venha o diabo e escolha”.
Depois da teimosia do funcionário da Goldman Sachs e Ministro de Estado, Vitor Gaspar, o tal que transpirava alegria no dia da ida aos mercados, tal era o seu regozijo com o sucesso da venda  da divida portuguesa. O tal sucesso da procura mesmo a juros tão elevados, não houvesse uma mãozinha a segurar o “cuzinho do menino”  caso ele pudesse cair.
Isto é, deram-lhe um andarilho e ele até já se julga capaz de correr. Tanto é que na União Europeia já falava de direitos sociais, como se não fosse o que ele mais tem feito ao serviço dos seus patrões invisíveis, apesar de sermos nós a pagar-lhe, ainda por cima para destruir o Estado Social.
Mas pronto, a ideia deste assunto era outro.
Embaralhar, partir e dar.
Após apresentação das novas medidas do Governo, o Ministro de Estado engalfinhou-se com o outro Ministro de Estado.
Sem sentido de estado, estrategicamente bem colocado, Paulo Portas, sem precisar de andarilho já, pois tem tarimba e astúcia q.b. recusa-se a comer a papa. A mamã aos saltos e a Passos de Coelho, ora se vira para um lado ora para outro e sem saber que fazer, lá vai dando “uma no cravo outra na ferradura,”deixando correr o menino no andarilho e aceitando que o outro menino faça birra com a papa e feito uma barata tonta nem se impõe a um e deixa-se levar pelo outro.
Como que a jogar por baixo da mesa, todos fazem batota, neste embaralhar, trair e roubar os portugueses em que Passos continua apostado, em destruir o Estado, quer seja social, quer seja nas meras funções elementares, entregando tudo ao privado, de forma limpinha e “sem espinhas” conforme está mais uma vez a fazer agora com os CTT, despedindo os seus funcionários.
Só após derreter tudo sairá do governo, não se importando com eleições e popularidades, garantido que terá o seu lugar ao sol no privado de onde veio e para onde caminhará juntamente com Gaspar, em qualquer lugar cimeiro como prémio de consolação, pelo trabalho sujo, digo feito.
Quanto a Portas continua apostado em “brincar às escondidas”, ora se esconde ora aparece, mas sempre com vontade de “jogar ao livra” e fugir, para mais tarde se livrar num próximo governo, enquanto seus pares jogam à "cabra cega", como criancinhas sem saber o que é a vida de tanto desempregado que clamam pão na mesa.
No meio disto tudo, a minha preocupação é só uma, após já ter deixado de acreditar quer num quer noutro o meu problema agora é a baralhação que vai na minha cabeça.
Mas afinal, que é que esta gente vai fazer?
Que vão tirar já o sei! Mas a dada altura já não sei se vão tirar nos tais 10% das reformas, se vão tirar dias de férias, se vão aumentar a carga horária para 40 horas semanais, se vão aumentar os despedimentos na função pública, se vão alterar as regras de aposentação, se as reformas vão para os 66 anos, se ainda vão mexer no que afinal já não mexiam, que era o tal subsídio de férias e desemprego.
Estou completamente baralhado e sinceramente já não sei o que querem fazer, com esta baralhação, entre o que Portas diz que não quer, o que o Passos Coelho diz que vai ser e o que outros ministros e secretários de estado dizem que tem que ser, não sei o que é e o que não é, porque ora é ora não é.
Para mim já é tudo e já não sei de nada.
Mas uma coisa sei, é que com isto tudo nos querem baralhar e assim tudo será mais fácil ser aquilo que dizem que já não vai ser!

segunda-feira, 15 de abril de 2013

AMÉLIA DESPIU A POBREZA

Amélia apareceu hoje nas notícias de televisão. Deixou cair a máscara que possivelmente há muito tempo a consumia, ganhou coragem a colocou um anuncio num placard de um supermercado “Pingo Doce” a oferecer-se para trabalhar em troca de comida.

É certo que o Pingo Doce anunciou a abertura de uma rede de supermercados na Colômbia, mas este anúncio foi mesmo colocado num desses supermercados em Portugal. 
Pelas imagens que vi na televisão, garanto que a realidade é mesmo portuguesa. Não vão pensar os mais distraídos que possam ser imagens de um país terceiro-mundista nos anos 80, como Colômbia, Bolívia ou outro qualquer país da América Latina, que na sua maioria nesses anos estavam subjugados aos programas do FMI, chamados de recuperação económica, que a pretexto dessa recuperação os povos trabalhavam a troco de comida, vivendo miseravelmente enquanto os países se afundavam e entregavam às empresas multimilionárias a exploração da sua riqueza natural e económica, com o conluio de governantes nepotistas e servi listas, apostados em vender a alma e os seus povos em troca de fortunas pessoais.
Felizmente que estes povos conseguiram libertar-se do jugo do FMI e agora dão cartas ao mundo como é o caso do Brasil, que bem conhecemos.
Agora os miseráveis, as “Amélias” somos nós, e sujeitos a um desses programas de assistência constituídos pela União Europeia e FMI, vivemos na penúria envergonhada e resignados vamos resistindo conforme podemos, escondendo enquanto for possível a desgraça do desemprego, das dividas e da falta de dinheiro para calarmos a fome, escondida muitas vezes numa carcaça rechonchuda engordada em tempos à custa de comidas nocivas que esta sociedade de consumo nos impingia, enquanto funcionava.
Agora vemo-nos gordos por fora, famintos por dentro, enclausurados entre observações de pessoas que sempre puderam e souberam cuidar do seu corpinho, com observações do tipo:
-Não parece que esteja a passar fome, até que está bem gordinho.
E é neste espartilho emocional que muitas Amélias deste país vivem. Gordinhas por fora e famélicas por dentro.
E assim se vai vivendo dentro desses três milhões de (in)concenciências, envergonhadas e pobres, fintando a misérias sabe-se lá até quando, por culpa de um Capataz chamado Gaspar, que como antigamente, eram o símbolo do servilismo de um tempo de má memória, mas apostados em regressar, pelas mãos de um governo cego e surdo para o país, mas que diz ao patronato chamado TROIKA, que vai continuar com mais austeridade ao gosto do patrão directo de nome Merkel.        

Amélia de que a televisão nos fala hoje, é a Amélia da coragem, que muitos ainda teimam esconder esperançados em falsas promessas e acreditados que esta politica é a solução, apoiada em mais e mais cortes e medidas de austeridade que nos levará à miséria de tempos julgados esquecidos.
 Esta Amélia é a Amélia da coragem, que nós teimamos em esconder. A Amélia que com mais amor aos seus filhos decidiu oferecer-se para trabalhar a troco de comida para lhes dar.
Esta é a antítese das Amélias que somos nós, um povo à beira do abismo e da miséria, mas que teima em ser Amélia.
Esta é a Amélia do fim do embaraço, que despiu a capa da vergonha e abriu o armário da realidade, vazio de pudor, que tantos pobres em Portugal teimam em manter fechado, por culpa de uma realidade imaginária que eles tardam em reconhecer, que os mantém anestesiados num sonho Sebastianista.
  
-Oh Amélia, afinal as Amélias somos nós!

domingo, 24 de março de 2013

O CHIPRE ABRIU A CAIXA DE PANDORA


reparem o mapa, os Gregos já nada podem 
Com as negociações a decorrerem entre o Chipre e a União Europeia, parece que vai vingar a lei do mais forte.
Aquela pequena ilha que funciona como uma espécie de offshore dentro da própria Europa, acaba por sair derrotada. Mas não pense a TROIKA naquele país que a Europa não sofre com isso.
Os ingleses esses já estão a salvo, que o seu governo já prometeu compensar os prejuízos dos seus compatriotas com depósitos no Chipre.
De resto fica tudo a perder. Fica a perder o Chipre, que vai assistir ao esvaziamento de dinheiro dos seus bancos, conforme aconteceu com a Grécia, em que os gregos correram a sacar o seu dinheiro dos bancos desconfiando das medidas da Troika e das politicas dos seus governos, e com isto sempre que se injectava dinheiro ali ele desaparecia como fumaça.
No Chipre vai ser pior ainda, porque a economia assenta no sistema bancário.
Se aqui, na Grécia e em Espanha o desemprego disparou como sabemos, agora imaginem ali.
Vamos assistir à fuga de capitais em massa, zangados pela taxa que se adivinha em 20%, e do receio de novas taxas e da bancarrota. Os grandes bancos vão ameaçar falir, criando um mar de desempregados, com a instabilidade politica que irá acarretar.
Vai ser necessário a permanente recapitalização dos bancos com medidas de austeridade sobre as pessoas e vai continuar o dinheiro a desaparecer, só para provisionar o sistema bancário e vai faltar dinheiro para os governos salvarem o orçamento e restante economia.
Aquela ilha vai-se tornar um caos porque não vai sobrar dinheiro para se poder governar e cumprir os compromissos com os credores. O turismo irá ficar completamente aniquilado sem condições de poder funcionar e a instabilidade permanente a ajudar.
Quanto à Europa, vai continuar a fazer exigência que jamais poderão ser cumpridas, porque o dinheiro que para ali for enviado vai todo para o esgoto e se não enviarem vai na mesma a Europa e Chipre.
Se até aqui estávamos todos metidos num grande problema, a partir de agora o problema tornou-se bem mais sério. Os Cipriotas não negociaram a vendas das suas reservas com russos a troco de um empréstimo e daqui amanhã vão ter que acabar por entregar as reservas de gás, a ilha e o trabalho escravo baseado no turismo e pouco mais a um qualquer outro oportunista, que se espera não seja do circulo de amizades da Alemanha da Srª. Merkel.
Vai chegar a vez da União Europeia pagar! É que os russos tinham ameaçado que, se taxassem os depósitos naquela ilha eles irão reduzir a participação de Euros nas suas reservas, que é de 41% a 42%. E isto diz Medvedev, terá consequências imprevisíveis.
Os russos (maior país do mundo) são os principais depositantes no Chipre. Se eles decidirem mesmo livrar-se de parte das reservas de Euro, isso sim será imprevisível para a moeda europeia, porque ninguém a vai querer e vão livrar-se dos euros, quer seja países quer seja especuladores a empurrar ainda mais o Euro para baixo. O Euro poderá ficar nas ruas da amargura e tornar-se uma moeda malvada que ninguém quer ter na mão com sucessivas desvalorizações e em que nem esforços concertados dos vários bancos centrais como normalmente é feio vão conseguir segurar.
Pode ser mesmo uma tragédia para a nossa moeda, e quem o tem vai excomungá-lo. Não era esse o propósito dos americanos? Manter o Dólar como moeda de referência/padrão?
Quanto aos que forem acorrer sacar dinheiro dos bancos, (que já os há) com medo que lhe aconteça como no Chipre (serem taxados), não sei se será melhor assim! Olhar para um monte de notas debaixo do colchão, daqui a uns anos e saber que nada valem.
A igreja cipriota já disponibilizou os seus bens para ajudar o governo e aconselhou à saída do Euro. Mas quando virem os turcos invadirem e tomarem conta do Chipre, estejam atentos porque a grande guerra pode estar a começar.
Esperemos que isso ainda demore, era melhor  nunca acontecer, mas duvido.

quarta-feira, 6 de março de 2013

O DESCARAMENTO DE UNS INDIGNADOS



Que Portugal está em crise já todos sabemos. Claro que a maioria ignora a profundidade e a delonga desta crise, pois ela está no princípio vai ser profunda, vai durar décadas e trazer grandes transformações. Mas à medida que ela se tornar evidente os incautos e distraídos, sentirão o seu efeito no corpo e na alma.

Mas por falar em alma, já notei que os estados de alma de alguns instalados estão a mudar. Que o diga o Dr. Filipe Pinhal, que se tornou num indignado. Um indignado contra o sistema que o alimentou. Vejam bem!
Os ricos reformados a reclamarem de indignados. Qualquer dia ainda os vamos ver a reclamar contra os verdadeiros indignados, do tipo de; Associação dos indignados contra os indignados. Claro está, indignados ricos que perderam parte da sua insultuosa reforma, contra os pobres dos indignados já sem nada a perder.

É o mesmo para dizer que os nossos “ricos” reformados, perderam o decoro. Então não é que depois de tão gordos e vergonhosos ordenados, agora decidiram reclamar das suas chorudas reformas!
Sem ponta de vergonha, estes nababos exigem não contribuir para pagar a crise que eles cavaram, com todas as suas mordomias e seus bem proveitosos benefícios, orientando-se todos como insaciáveis e deixando o País numa profunda desgraça.
Não seria mais sério ser o Estado (que somos todos nós) a levar certos senhores a Tribunal e não o oposto?
Reais reformados que tomaram de assalto na sua etimologia social a palavra indignado, criaram o seu movimento. Claro está que eles não se misturam, pelas ruas da indignação com o povoléu, pois as palavras que por ali se aplicam podem-lhe soar mal aos ouvidos.
Apresentam-se como que imaculados, para que não restem dúvidas da seriedade deste movimento de Senhores.

Eles dizem que não é um movimento de contestação. Alto lá! Não há misturas com a populaça. Mas sim um movimento de defesa de direitos individuais. Quer-se dizer, de defesa das chorudas reformas, pois estes prestimosos senhores, depois de tanto terem contribuído para a sociedade, com os seus descontos dos seus insultuosos salários, não querem contribuir com parte do que sem pejo ganharam.
E se o Constitucional não lhes der razão eles avançam para os outros Tribunais, que nisto não há mistura pelas ruas, que Tribunais é para quem pode!
   
O ex-gestor do BCP, foi braço direito de Jardim Gonçalves que tem uma reforma de 167 mil euros mensais, que com ele foi julgado por vários ilícitos criminais, vem reclamar os 10% de TSU que lhe aplicam na sua reforma.
E diga-nos lá, quanto é a sua reforma?
70 mil euros!
Uma afronta a mais de 85% de reformados com pensões abaixo de 500 euros. A cerca de 180 mil jovens sem futuro, 40% entre os 15 e os 25 anos. A quase um milhão de desempregados, fora os não contabilizados que já desistiram de procurar emprego. Aos mais de 100 mil que tiveram que emigrar sem solução para as suas vidas num sistema que certos senhores construíram, serviram e se serviram. E já não falando dos mais de dois milhões de pobres.

Tenham um acto nobre, peguem nesses milhares de euros com que vão engordar mais um pouco algum advogado e apliquem-no numa instituição de solidariedade, antes que sejam “linchados” pela opinião pública.  


 Pondo de lado a razão, tenham mais dignidade e respeito pelas desgraças de tantos milhões de portugueses, mesmo que alguns envergonhadamente, ou distraidamente não se mostrem isso sim verdadeiramente indignados.  

sábado, 2 de março de 2013

João Salgueiro manda limpar matas


(filho Carlos)
-Pai, não quero estudar mais!

(pai Joaquim)
-Já não queres estudar? Pronto, então para saberes "o que é bom para a tosse", vais trabalhar, que foi aquilo que a mim me fizeram quando acabei a 4ª classe. Puseram-me a carregar baldes de massa nas obras e nem sequer protestei. Mas como agora não há trabalho na construção civil, vais limpar matas, que parece que há aí muitas matas para limpar.

(filho Carlos)
-Limpar matas?

(pai  Joaquim)
-Sim, ou julgas que vais arranjar trabalho atrás de algum escritório a tirar um bom ordenado quase sem saber ler nem escrever? Isso é para os ricos e para quem tem cunhas. E até calha bem que eu andava aflito para segurar o teu irmão na Universidade, ao preço que está a vida e principalmente as propinas. Ao menos ele ainda tem vontade de estudar.

(filho Carlos)
-E de que adiante tirar um curso, se não há emprego na área dele?

(pai Joaquim)
-Na área dele e nas outras, mas ao menos emigra e alivia-me as costas cá em casa. Sempre é menos uma boca para sustentar. Já basta a tua mãe ter perdido o emprego na fábrica, sem direito a nada.

E o diálogo podia continuar, mas ficamos por aqui.

Eu por mim mandava-o guardar cabras. Se calhar por saber que ser pastor ainda é mais duro, ou se calhar por achar que as cabras por lá naquelas matas sempre as desbastam um pouco, ou  para ironizar.

Pelos outros, ou pelo Dr. João Salgueiro, o ex-presidente da Associação Portuguesa de Bancos, aposentado com 14.352 euros, ministro das finanças no PSD antes da 2ª intervenção do FMI em Portugal nos anos 80, ainda professor na Universidade Nova e da Juventude Universitária Católica no tempo em que o Joaquim carregava baldes de massa a troco de umas “cascas de alho”, por não ter tido oportunidade de estudar. Por João Salgueiro, o Carlos e outros desempregados iam obrigados pelo Estado para as obras ou limpar matas.

Por isso é que o Joaquim queria ver os seus dois filhos com um curso superior, para não serem obrigados a emigrar, como fizeram os seus irmãos mais velhos que “a salto”, fugindo por carreiros escondidos com passadores, atravessando rios gelados, dormindo em currais furtivos até conseguir chegar a França, vivendo décadas em barracas, para conseguirem amealhar alguma coisa.

Mas não para os comentadores do sistema, para os que criaram toda esta situação, “nós, o povo” os desempregados que muitos deles “fizeram das tripas coração” para dar um futuro melhor aos seus filhos, pondo-os a estudar, agora todos eles quer sejam formados ou não, mas só porque estão desempregados devem ir limpar matas ou para a construção civil.

Sabe porventura o Sr. Dr. João Salgueiro, como se encontra a construção civil neste país?

Sabe que já há muito ultrapassou os 100 mil desempregados e que é o maior flagelo nacional?

Sabe que há mais de três falências por dia nas empresas de construção civil?

O senhor sabe o que anda a dizer?

O senhor manda os desempregados cuidar dos idosos?
Sabe que hoje na Manifestação contra a Troika e o governo, a grande maioria eram reformados que já quase não ganham para comer e que lhes foram miseravelmente ao bolso neste corte cego das reformas, quando eram eles que ajudavam os seus filhos e netos desempregados, neste flagelo nacional?

São estes reformados que vão pagar para cuidarem deles como o Sr. Dr. manda? 
Oh senhor Dr. são os idosos que ainda podem, que cuidam e alimentam os filhos e os netos, que a Segurança Social, já há muito se está a dissociar deste problema. 

Por um salário mínimo, o Sr. Dr. ía cuidar? Então de borla muito menos, o senhor que sempre foi tão bem pago!

Diga-me uma coisa! Tem assim tantos pinhais ou eucaliptais, na família?

Quer que lhe limpem as matas de graça, ou quer trabalho de escravo?

É que não percebi! Fala no tempo da 2ª Guerra Mundial, em que as pessoas trabalhavam com as mãos, não tarda muito e está a dizer que o Holocausto foi bom.

O Sr.Dr. que foi presidente da Associação Portuguesa de Bancos durante tantos anos, cargo tão distinto, que andou por lá a fazer?

Sabe bem que a Associação a que presidiu tinha um Banco chamado BPN, em que os seus ladrões lesaram os Portugueses em 7.000 milhões de euros estimados e para esses nunca teve uma palavra?

Sabe bem que do empréstimo que Portugal recebeu da Troika, 12.000 milhões foram para ajudar os bancos da Associação a que o Sr. Dr. presidiu, dinheiro esse mal aplicado em especulação bolsista e em negócios ruinosos, dos quais não temos culpa! Mas agora temos que pagar com “língua de palmo” e esses bancos a “cantar como a cigarra”, a receber empréstimos a juros baixíssimos do BCE para especular em Obrigações do mercado financeiro enquanto nós pagamos esses juros da Troika a preços altíssimos com o corte dos nossos ordenados e reformas?

Quem é que devia ir limpar matas, cuidar de idosos, carregar baldes de massa, com as mãos como no tempo da 2ª Guerra Mundial? Os desempregados ou os culpados pela crise? Os homens do seu tempo, que foram os culpados deste estado de coisas!

Sabe, o Sr. Dr., de certeza que não tem filhos nem netos formados à procura do 1º emprego, nem familiares desempregados e desesperados com o pagamento da renda, o pagamento da luz, da água, ou da comida que falta na mesa. Porque para pessoas assim que sempre se alimentaram do sistema, para eles há sempre um lugarzinho em qualquer lado, para se ganhar dinheiro.


Nós sabemos qual é o propósito!

É criar os novos escravos.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

JÁ PEDIU A SUA FATURA?



Primeiro era o regabofe, enquanto havia dinheiro a rodo para os proveitosos negócios e ordenados chorudos do tempo das vacas gordas da politica, em que ignominiosamente se fez fortuna, e a troco disso se permitiu que uns quantos pacóvios tirassem alguns proveitos nos negócios, do tipo um café em cada esquina, sem grande controlo fiscal numa autentica pândega com as migalhas que sobravam da mesa dos banqueteados negócios e esquemas dos novos endinheirados. 

Agora lembra-me os tempos idos da história. Quando o confisco real e feudal espalhava o terror pelas terras e  aparecia recolhendo os bens produzidos pelos pobres vassalos, deixando-os à mercê da miséria, sem nada para tragar. 

Agora estes são novamente os tempos do terror fiscal, em que o Estado depois de ter tirado os direitos sociais, destruído o trabalho e oferecendo ordenados de miséria acaba de nos confiscar os últimos dízimos que nos restam na algibeira tornando-nos novamente servos neste modelo económico neoliberal.

Bufos uns dos outros na simples toma de um café, em que muitos invejosamente ou iludidos com um beneficio fiscal paupérrimo, nos tornamos reféns de um controle de todas as nossas vidas em que o fisco saberá bem observar pela vezes que ainda alguns vão de férias, ao restaurante ao cabeleireiro ou sei lá que mais, que além de poder controlar as nossas vidas saberão avaliar onde poderão confiscar mais uns cobres daqueles que ou ingenuamente ou teimosamente ainda tentam fintar a penúria das suas vidas diárias.
É altamente pernicioso este esclavagismo social e nós cabisbaixos escondendo e tentando fintar a pelintrice, como que acreditando em falsas promessas de dias melhores, cerramos os dentes, encomendamos um sorriso, fintando a realidade que se anuncia na próxima factura das novas medidas de austeridade.

Consciente desta sôfrega realidade, eu queria era que os bancos passassem facturas dos chorudos lucros com os juros da prestação da casa ou das usurárias taxas aplicadas a quem usa o Cartão de Crédito para pagar no supermercado a fome que se avulta silenciosamente. Mas para estes não há factura!
Talvez seja mesmo só pela perda de tempo do funcionário bancário prestes a despedir, ou pela tinta ou papel gastos na referida factura e chuta-se os fiscais das finanças que passamos a ser nós, para fiscalizar os galões e as sandes que sorvemos a correr para fintar a fome no café ao lado do trabalho, que não sabe se abra ou feche de vez. Ou no mecânico que já faz biscates de mudanças de óleo na garagem improvisada porque a oficina já o era e agora se ocupa da horta nas horas vagas. Talvez fiscalizemos o barbeiro lá do bairro, o sapateiro do quiosque da estação, já velhotes absorvidos naquela imensidão de tempo em que a cliente vasculha o número de contribuinte e o ajuda na forma de passar a complicada factura dos simples cordões de 50 cêntimos provavelmente chineses, livres de impostos e mais baratos ainda que o custo da factura, dos atacadores que acaba de vender à vizinha desempregada que precisa de uns novos para os sapatos que vai juntar ao fato que lhe emprestaram para a entrevista do novo emprego de balconista, onde lhe prometem 300 euros mais comissões de 1 por mil euros nas vendas das roupas que já ninguém tem dinheiro para comprar.
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É sabido que este modelo de confisco usado, além de nos estar a levar à miséria está debilitar toda uma economia moderna, empurrando-nos novamente para os primórdios da humanidade, em que as trocas directas dos produtos, era a forma encontrada. É assim que estamos prestes a chegar, sem trabalho, com um controlo fiscal, uma exigência declarativa de tudo que brilha e mexe, a economia definha e é chegado um tempo em que não nos reste um tostão para gastar nem um botão para declarar.
Será que o fiscal das finanças nos vem bater à porta para nos confiscar as galinhas ou os tomates do quintal? É isto que nos espera, uma economia bloqueada e paralela que nos levará à troca por troca, à caridade e à fuga ao fisco, onde já nem uma dúzia de ovos podemos vender sem pagar imposto!
Mas ninguém enxerga isto?

E quanto ao fiscal das finanças se à saída do café lhe pedir a factura, diga-lhe que foi ao wc e a usou porque já nem havia papel higiénico, mas que dá sempre o número de contribuinte e que os 0,05 cêntimos declarados ao fisco para IRS por café ao longo do ano, sempre dará pelo menos um euro de reembolso. Uma fortuna, nos tempos que correm. Quase ao nível de uma conta offshore dos banqueiros da nossa praça. Quase tapa o buraco do BPN.
Como diz o José Viegas, faça-lhes o manguito, já que ele os manda tomar "nucu".
Mas pronto se quiser ir mais longe torne-se bufo, vá ao site das finanças e denuncie ali quem não declarar as facturas para   IVA/IRS. Acho que também dá prémio. Sempre dará para um rebuçado.