domingo, 6 de outubro de 2013

A MISSA REPÚBLICANA

As missas a que me habituei, eram daquelas missinhas ao domingo de manhã em que éramos obrigados a ir e prestar contas lá em casa. Mas havia uma técnica, era aparecer ao final da missa e saber quem tinha lido a epistola e assim enganávamos as nossas mães.   


Nós rapazes à medida que nos íamos tornando espigadotes, começávamos a furtar-nos àquela maçada, que era ouvir o Sr. Padre lá do “seu” altar a proferir sempre a mesma lengalenga, embora com homilias ligeiramente diferentes reportando-se a episódios bíblicos, cuja intenção era revelar-nos a verdade de Deus, acompanhadas de recados à comunidade.

O padre era assim como que um mensageiro da fé, que nos ensinava o caminho da verdade.

Eu sempre me convenci, que as pessoas que iam à missa, não iam para ouvir o padre a falar sobre passagens bíblicas, mas sim por uma questão de fé e tementes a Deus, que nos levava a pensar que lá nos céus há Alguém acima de nós que nos observa e conforme nos habituaram a crer, esse Alguém nos desculpa pelo mal que fazemos ao próximo e pela confissão está sempre disposto a perdoar-nos.

E sempre que alguém se sente pecador, lá está pelo menos aos domingos a pôr a mão no peito fazendo o seu ato de contrição, quer seja rico ou pobre. 
Nos pobres é mais uma espécie de devoção com pedidos a Deus na esperança de uma vida melhor, já quanto aos ricos, pedem remissão dos pecados cometidos que pela confissão e pela missa dominical se sentem absolvidos, acompanhado de uma famigera moeda na bandeja à passagem do peditório, para que todos observem a sua suposta bondade para com Deus e a Igreja.

No final da missa  lá vão convidar o Sr. padre para ir almoçar lá em casa, para terem uma maior proximidade com Deus e acumularem mais indulgencias.

À despedida os menos avarentos oferecem um envelope com umas notinhas para o sr. padre fazer a sua vidinha porque também é filho de Deus e assim se converte mais um cúmplice.

Fica-se redimido para uma nova semana de opressão e atropelos àqueles e às leis que os regulam como seus servidores, sujeitos à batuta que novamente se torna opressiva.

O que é certo é que ninguém gosta de faltar à missa de domingo, quer seja para se pavonear pela igreja adentro, ou para reparar em quem lá vai ou deixa de ir, ou então para se inteirar dos últimos acontecimentos do burgo, que ali fazem notícia.

Quanto a fé cada um toma a que quiser, mas sempre temendo a Deus, não as vá o diabo tecer.

Ontem já não foi feriado, por pecado governamental, o dia da implantação da República, em que se tentou separar a igreja do poder, já não é feriado, e como tal não houve a mesma missa, como acontece aos feriados e domingos.

Aqui o "padre" e o rico banquetearam-se, mas mais sórdido ainda, com um governo comungando da mesma mesa e na figura do sacerdote retribuiu as esmolas, os almoços e envelopes oferecidos para remissão dos pecados, a troco de mais uns dias de trabalho para assoberbar os bolsos famintos de ganância dos nossos empresários e patrões.

E assim os pobres diabos continuarão a pedir a Deus por melhores dias, pela miséria que a cada hora se avulta.

Quanto à missa que ontem já não houve, essa sim foi apregoada agora pelo Cardeal, que de uma forma apadralhada e masoquista, aplicou um sermão aos seus acólitos com um discurso rendido à inevitável desgraça de um ajustamento às necessárias medidas de austeridade impostas pela Troika.

Numa homilia vazia de conteúdo mas cheia de conformismo, Cavaco Silva não disse nada, porque já nada tem para dizer. Proferiu palavras sem assunto, escusando-se a dar recados a quem quer que fosse, aceitando a crise como uma inevitabilidade, onde os presentes no meio de bocejos pela maçada marcaram presença na eucaristia, cumprindo um ato de fé, fazendo de figuras devotas e representantes institucionais de uma democracia que não funciona, com medo de sacrilégios ou receio de ser excomungados e aproveitando para se pavonearem.

Salvou-se a leitura da epístola de António Costa, com um discurso luterano, que de certa forma tem vindo a conquistar alguns adeptos fervorosos e esperançados na ascensão de uma nova religião.

Quanto ao nosso Cardeal e restantes sacerdotes, apressaram-se a entrar para dentro da “igreja” tentando ignorar os apupos e assobios dos ateus que do adro pediam "demissão". Apesar de não serem assim tantos, já são mais que suficientes para ensurdecer as suas cabeças, cada vez que aparecem em público, mesmo que de fugida.

E assim entre uma espécie de retiros e visitas papais, como a última à Suécia, o nosso "Sumo Pontífice" vai largando umas atoardas, contradizendo o que anunciou cá dentro, falando aos ricos lá de fora, que tudo está bem, que a salvação está próxima e que todos alcançarão os reinos dos céus sejam uns de barriga cheia, sejam outros com ela vazia.

Se calhar masoquismo é mesmo uma questão de fé. Falo de mercados, claro!

Porque aqui nós já não há fé que nos salve.

Mas pronto vão lá à missa.

Ah, no dia de todos os santos, não!

Já não é feriado, teremos que trabalhar religiosamente conforme nos obrigam.

A bem dos mercados lá fora e por causa da crise cá dentro.



segunda-feira, 30 de setembro de 2013

PORTUGAL FASE 2, COMEÇOU

Amanhã será uma nova etapa da vida dos portugueses.
O reconhecimento, de que as pessoas estão a ficar fartas dos partidos do poder (arco da governação), que já o tinham expressado noutras eleições através do Bloco de Esquerda, mas agora a expressarem o seu desencanto nos candidatos independentes, esvaziando os Bloquistas e dando acima de tudo a vitória à abstenção, sinónimo de descrédito dos políticos.

A afirmação da CDU que encontrará mais legitimidade e apoio, na sua luta de contestação e que dificultará a vida ao Partido Socialista como alternativa ao governo. Portanto prevê-se endurecimento e legitimidade para a contestação através da CGTP. Isso fragilizará o governo, que saiu derrotado nestas eleições e com dificuldade em levar por diante as medidas de austeridade que agora se prepara para apresentar, após eleições, que serão sufocantes para os portugueses.
A nível nacional a situação politica irá degradar-se, sem saída para o governo e sem margem para Cavaco que astutamente já prevendo tais problemas apelou novamente ao entendimento de forma a segurar as politicas de austeridade do seu partido, agora sem força para as impor, tal será a contestação.
A par disto a Itália vai entrar num período conturbado com dificuldades em segurar o governo, correndo o risco de novas eleições. A crise que estava adormecida não Europa vai despertar novamente e alarmar a todos, esmagando os juros dos países do sul.
Os juros da dívida pública irão disparar, naquele país e Portugal que sexta fez uma correcção técnica até aos 6,7%, irá iniciar uma nova escalada de subida tornando insustentável a governação com juros muito acima dos 7% (de limite). Os mercados irão castigar mais a nossa dívida com a derrota eleitoral do governo, com os investidores a fugir da divida pública portuguesa, até porque agora se tornará mais certo um segundo resgate e perdão de parte da dívida.  
Portugal hoje deu mostras de se preparar para um período de uma enorme instabilidade politica sendo estas eleições um mau prenúncio.
Seguiremos mais ou menos o caminho da Grécia, mas aqui com os comunistas a sentirem-se legitimados para a contestação.  
Vamos ver se o governo quase já cadáver, chega ao Natal.
Portugal, fase dois, começou.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

VIVA ANGELA MERKEL, VIVA A ALEMANHA

Viva Merkel, que venceu pela 3ª vez as eleições na Alemanha.
É sem dúvidas uma excelente vitória, que já deixou lugar na história mas deixará mais ainda.
A Dona da Europa, fez uma campanha magistral, depois de ter governado de uma forma ainda mais soberba.
Mas permitam-me que acrescente a isto um calculismo metódico, frio, cínico e egoísta.
Sabendo que tinha que ganhar novamente as eleições veio impor à Europa rigor nas suas contas e contenção governativa, a custo de uma a austeridade aniquiladora de um progresso social, com trabalho e direitos destruídos, onde até parece que os cidadão são os culpados desta hemorragia que destruirá a democracia e minará a paz entre as pessoas.
Merkel com a sua atitude intransigente relativamente à Europa nas soluções mais solidárias, no que diz respeito a dívidas e deficits orçamentais, conseguiu ser reeleita pelo seu povo.
Então Merkel que nos agradeça!
Mas nem isso.
Com um discurso para os alemães, de que dívida é a mesma coisa que culpa e que culpa é sinónimo de viver acima das suas posses, os povos do Sul acabaram por eleger esta senhora.
Para os alemães, eles não estão para pagar os nossos devaneios, é assim que pensam.
Nós que abdicámos de crescimento económico a troco de uns quilómetros de alcatrão, para os Mercedes, BMW, VW, Opel, e seus Porches, que nos toldam as ideias e esvaziam os bolsos. Que aceitamos ser conquistados, pelos supermercados Lidl ou Aldi e aqui vender os seus produtos, as suas salsichas, os seus espargos. A Alemanha da Siemens dos electrodomésticos e equipamentos que consumimos como a Teka e da Miele, nas nossas cozinhas, dos elevadores Schneider das nossas gaiolas pagas com empréstimos feitos à banca que se endividou na Alemanha do Deutsche Bank e Commerzbank, etc. Dos submarinos corrompidos que nem dá para falar, das lâmpadas Osram que nos deviam iluminar as mentes, dos esquentadores Vaillant que nos lavam o corpo e a alma, da Grundig que nos podia abrir os olhos para a realidade, ou Vodafone que nos entretém com conversas banais, a Alemanha que nos põe doentes e deprimidos e que depois nos cura com as suas Aspirinas e outros fármacos.
Uma parafernália de interesses que corroeram a nossa balança comercial e nos tornaram um país devedor e importador a troco de uma adesão a uma moeda que ironicamente nos está agora a querer matar. 
 Mas voltando um pouco atrás, quem é a Alemanha?
A Alemanha é o país de Hitler, que quando se viu a braços com uma crise resultante da superprodução de 1929, que levou à fome e miséria pelo mundo fora, exportada da América, começou a viver tal como agora com diferenciação de classes e onde como neste momento o trabalho é pago à peça em função do serviço que executam e quando o há.
Salários pagos a 2 ou 3 euros por hora, a emigrantes que são explorados sem conhecer sequer os seus direitos e tratados com escárnio.
Isto é Alemanha de hoje, por enquanto. A Alemanha que se recusa a ser solidária com a Europa mas tirando proveito nos juros da sua dívida que lhe permitiu poupar 41 mil milhões com a crise do Euro. O país de Merkel, que recusa ser solidário nos Eurobonds, que nos acusa de gastadores irresponsáveis, mas que tem problemas laborais e vai começar a ter problemas de exportação e de excedentes.
A Alemanha que faz trocas comerciais com a China, fornecendo-lhe maquinaria para os chineses produzires os têxteis que nós lhe vendíamos.
A Alemanha colonial nos tempos modernos, que nos colonizou com seus produtos e nos acusa de gastadores.  
O país que beneficiou com a união da Alemanha de Leste, mais atrasada mas instruída de onde saiu Merkel convencida que havia outros modelos melhores, mas que para crescer não promoveu o bem-estar social que deve assistir à democracia e colocou camadas sociais com salários vergonhosos para um país que se diz desenvolvido.
A Alemanha que beneficiou com o fim do Bloco de Leste que lhe permitiu acolher mão-de-obra barata e abrir-se a esses novos mercados, tal como nós e lhe permitimos chorudos lucros.
Uma Alemanha que cresceu  numa conjuntura que se lhe tornou favorável agora nos condena e nos acusa de culpados.
Culpados sim de termos aceite entrar numa corrida chamada Euro, para a qual não estávamos preparados e que eles sabiam estar viciada.
Disso sim, somos culpados.
Culpados de pagarmos juros especulativos a troco da manutenção de uma Alemanha em crescimento, que não quer ser afectada.
Sim a Merkel e a Alemanha venceram estas eleições. Agora já pode soltar as suas garras e dizer aquilo que quer para o seu País e para a Europa.
Agora já não há pressões eleitorais nem truques de palavras como a “CULPA”.
A culpa agora será de quem não quiser ser solidário, de quem achar que efectivamente anda a sustentar os outros, como pensa o povo alemão, de que a culpa nem é deles.
 E foi assim com este tipo de culpa para a crise que o Nazismo cresceu e agora volta a desenvolver-se. E os outros são os culpados.
Uniu-se a Alemanha, e agora sem uma ameaça das armas, cria-se uma ameaça económica.
Portugal está à beira de um novo resgate, a crise na Europa vai reacender-se, vamos ver como se comportará a Alemanha.
Não há duas sem três, por isso muito cuidado que eles vão pensar mais ou menos da mesma forma que antes pensaram e aí sim volta a ameaça.
A não ser que perante as evidências que aparecerão, daqui a uns tempos uns Russos ou coisa assim, resolvam entrar pela Alemanha dentro da noite para o dia e...

Pensem nisso, pode muito bem suceder lá mais adiante. 

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O QUE NOS ESPERA! RECUPERAÇÃO OU DEPRESSÃO?

Após sinais de recuperação dados pelo PIB nos países em crise, países desenvolvidos (Europa, Estados Unidos e Japão), estaremos a assistir à verdadeira recuperação económica?



Com o anúncio nos EUA do início da redução da intervenção na economia dada pela FED, com o fim das EQ, o dinheiro por várias razões começou a regressar das economias emergentes, que para ali fugiu. Ou sobre forma de investimento produtivo, espreitando oportunidades ou mesmo em depósitos aproveitando a baixa rentabilidade nos depósitos bancários que desceram a mínimos históricos nos países em crise, com taxas nesses países bastante elevadas ou mesmo através de apostas nas bolsas essencialmente asiáticas, o dinheiro mudou de lugar. Agora que a economia recupera regressa ao local de origem, de países como a Índia, Turquia, África do Sul, Indonésia e Brasil. 
No primeiro impacto provoca desvalorização rápida dessas moedas, deixa debilidades a nível de investimento produtivo, que por si provoca desemprego. Como inundaram os bancos  e mercado, também lá como cá se usou o mesmo expediente; crédito fácil. Uma mistura explosiva para levar à recessão dos chamados países emergentes, com a debandada de capitais desses países, que provocará a diminuição de crédito e subsequente redução de consumo interno, aumentando o desemprego e criando incumprimentos e imparidades bancárias, logo crise e abrandamento económico.

Há ainda a duvida, em saber para que lado segue o mercado, daí haver já quem aposte forte na recuperação, retornando novamente o dinheiro ao mercado acionista, ou aqueles ainda receosos que teimam em manter-se no mercado obrigacionista, que dá juros nalguns casos apetecíveis e não se expõem ao risco. Tudo isto é o sinonimo de incerteza que terá que se definir à medida que se vá sentindo um falso sinal de recuperação e agravamento dos mercados.

O BCE vai tentar lutar contra a inflação, assistindo-se mesmo assim à luta entre a deflação provocada pela baixa procura e a pressão de subida do preço do petróleo devido à guerra na Síria, que atingirá preços record. Tudo isto poderá obrigar a que o BCE não consiga manter o preço de dinheiro baixo para recuperar a economia.

O mesmo acontecerá com os EUA, que devido à guerra que eles estão obrigados a fazer por questões logísticas e geoestratégias económicas, baseado numa política de guerra preventiva que tem alicerçado até aqui a recuperação económica em ciclos cada vez mais curtos, poderá fazer com que o preço energético também dispare, apesar da aposta feita na exploração geológica do petróleo naquele país, deitando por terra a recuperação sentida até aqui, provocando novamente desemprego e a crise hipotecária. O Orçamento Americano também tem que ser renegociado com os republicanos, pois já não há dinheiro para nada, que trará mais um abanão ao mercado financeiro e à economia, bem como a saída da FED de Bem Bernank que trará incertezas na condução dessas políticas.

Quanto ao Japão, não me parece que resulte por muito tempo a desvalorização do Yen, além de que estão à beira de uma catástrofe chamada Fukushima, devido às radiações nucleares se estarem a espalhar essencialmente pelo mar fora.

Na China sabe-se que a bolha imobiliária vai rebentar, com o governo a preparar 3 triliões para a atacar.

A Índia por exemplo, assiste a uma debandada de dinheiro com a rupia a desvalorizar de forma assustadora.

Cá pela Europa faz-se um compasso de espera nas eleições de Angela Merkel, a ver o que ela dita para a Europa. Se aplica a mesma política recessiva para os países afogados em dívidas ou se realmente toma medidas mais solidárias.

Aqui para nós portugueses, vai continuar o fantasma dos despedimentos na função pública aliado ao falso argumento da necessidade de reduzir custos, num pacote de cortes orçamentais que se segue após eleições autárquicas. Tudo isto trará novos protestos devido ao aumento de impostos e redução de vencimentos, aumentando novamente o desemprego, a redução de reformas e alteração do IRC para as empresas não beneficiando o poder de compra, com o falso argumento de que as reformas são necessárias mas que tornará e economia ainda mais recessiva provocando a necessidade de novo resgate.

Tudo isto a meu ver condicionará a recuperação económica e ao invés disso estou convencido que os sinais serão contrários e agora sim bem preocupantes, porque como sempre disse a recessão seria mundial, conjuntural e estrutural. 
Agora alastra-se aos países chamados em vias de desenvolvimento.



domingo, 1 de setembro de 2013

O FIM DA CLASSE MÉDIA


     Um pouco por todo o mundo assistimos a manifestações e revoluções, desde a crise do subprime nos EUA, onde se deram inicio a manifestações contra o sistema e depois espalhando-se um pouco por toda a Europa, com especial incidência aos países em crise de dívida soberana, como a Grécia, Espanha e Portugal. Outros países mostraram sinais de problemas sociais, como em Londres a destruírem e pilharem estabelecimentos inteiros, ou mesmo França como o caso das greves de camionistas ou também a revolta dos bairros da periferia de Paris a incendiarem carros.
A Primavera Árabe é o sinal mais marcante, que além de parecer profunda e perdurar, tem preocupado os Americanos, Europeus e Judeus, pois tal é a vontade de mudança e a libertação daqueles povos da pobreza e do jugo ocidental, que lhes impôs nas ultimas décadas um modelo económico e social que os conduziu à miséria.
Posteriormente espalhou-se à Turquia, ao Brasil à medida que a crise se acentua.
E outros serão os Países, como a Itália, Holanda, países Asiáticos e Sul Americanos, num alastramento cada vez mais global, apesar de agora aparecerem dados contraditórios mas  temporários.
A humanidade deu um salto trazido com a revolução industrial, apesar de ser necessário várias revoluções sociais (do proletariado) que marcaram o avanço e progresso da humanidade, como a revolução francesa, os movimentos marxistas e leninistas, os maoistas, entre outras pelo mundo fora, apesar de alguns retrocessos pelo meio com algumas ditaduras.
Conscientes de que a revolução industrial resultou em trabalhadores explorados, estes organizaram-se em sindicatos e apoiados por novas ideologias incrementaram as suas lutas e algumas revoluções entre elas as de libertação de alguns povos, que permitiu que a humanidade de certa forma evoluísse e se conseguissem novos direitos.
E agora que assistimos a mais um novo salto, num avanço onde se assiste a uma maior criação de riqueza vemos novamente maior exploração sobre quem trabalha!
-Quem vai fazer as novas revoluções e de que forma?
-Será a classe operária como nos tempos da revolução industrial que este modelo económico de certa forma ao longo das várias décadas foi abrigada a respeitar, cedendo-lhe em direitos e reivindicações?
-Tem agora o povo vontade e capacidade de fazer novas revoluções?
-Será que esta crise não é idêntica à outra?
-Ou será que os pobres envolvidos numa completa miséria já nem se dão conta de si, e há muito deixaram de lutar perdendo consciência que também são gente, deixando de ser capazes e ter tempo de pensar e reivindicar?
Serão estes os novos Servos da Gleba, ou ainda terão capacidade de despertar?
-Será que o que está a acontecer agora não se compara aos tempos da revolução industrial?
-Não seremos nós a classe média, comparáveis aos operários fabris de então, que aos poucos e poucos foram trabalhando cada vez mais, para os patrões aumentarem seus lucros e perdendo capacidade de compra, com custo de vida a aumentar, os salários a baixar e desemprego a subir, conforme a teoria de Keins?
-E se assim for, quem fará agora as novas revoluções?
-Será que a Classe Média cada vez mais enfraquecida está disposta e preparada para fazer esta nova revolução à medida que vão sentindo que as suas vidas não têm mais solução conforme aceleram a pobreza?
-Estarão eles dispostos a fazer uma nova revolução à medida que as suas consciências vão despertando para o novo estado de desgraça?
-De que forma se poderão organizar? Uma vez que nos últimos tempos as estruturas sindicais foram destruídas e desvalorizadas com argumentos de que já não eram necessárias, ou com ameaças persecutórias aos sindicatos e também levando inconscientemente a pensar que essas coisas já não eram necessárias, que agora toda a gente vivia bem e que isso já não tinha sentido, ser sindicalizado!
-Com o trabalho completamente desfragmentado e com a ideia que os sindicatos já não fazem sentido, como será então esta nova revolução?
-Será através das redes sociais que vão surgir  novas consciências e novos alertas?
-Será sobre estas formas de comportamento, de protesto e passagem de informação que vão surgir as preocupações dos nossos governantes e daqueles que dirigem o mundo?
-Será que é por isso que já vasculham a vida privada de tos nós, sabendo eu que pelo simples facto de estar aqui a publicar este artigo posso ser objecto de atenção e de preocupação?
-As ultimas condolências via facebook dada pelo Sr. Presidente, Cavaco Silva ao seu falecido amigo António Borges, com a reacção dos bombeiros e outros cidadãos na sua página, são a prova de que as coisas estão a mudar?
-Será que o perigo de pressão vem agora das redes sociais?
-O controlo que existe no mundo, levado a cabo por americanos e ingleses vigiando tudo e todos estarão na base dessa preocupação?
-Será que é por aí que eles tentam controlar o novo grito de revolta trazido com as novas tecnologias?
Seja como for, a mim parece-me que as novas tecnologias e a ciência nos trouxeram uma nova era de progresso para a humanidade, que poderia elevar os padrões de vida dos povos, mas tal como na revolução industrial, serve apenas para criar novos e cada vez mais ricos em prejuízo de melhor distribuição da riqueza agora produzida, conforme aconteceu antes.
Na altura boicotaram-se as novas máquinas, seus donos e inventores. Agora usam-se as novas tecnologias para criticar o que está mal.
De uma forma mais suave, com os já preocupantes ataques de ackers e organizações como os Anonymous, bem como a informação que é dada através de sites que denunciam casos jamais imaginados como no WikiLeaks,  resultando também num maior esclarecimento e maior mobilização contra as autoridades.
De que forma é que esta contestação se circunscreve às redes sociais, isso depende de uma maior consciencialização da nova pobreza em que estamos mergulhados.
Quando a classe média perceber que não passam de novos pobres aí sim as redes sociais sairão à rua e dar-se-à uma nova revolução.
Até lá, basta esperar que aos poucos a classe média ganhe consciência que desapareceu.

Então aí teremos uma nova revolução. 

sábado, 17 de agosto de 2013

PASSOS COELHO "VALEU A PENA OS SACRIFICIOS"


“Valeu a pena, os sacrifícios não foram deitados pela janela”. Foi esta impiedade, proferida por Passos Coelho, no discurso da rentrée politica do Pontal.


São estas palavras de conforto que este destruidor de empregos deu aos vários casais com vidas despedaçadas e assolados com o infortúnio do aumento de 67,3% de casais desempregados.

“Valeu a pena” aos milhares de casais votados na miséria e jovens sem futuro, à conta desta política de retrocesso à imigração como tábua de salvação à fome que flameja em milhares lares.

Depois de ter assistido nestes dois últimos anos à completa destruição da economia portuguesa, das famílias e do emprego, das pequenas e médias empresas e do ataque feroz ao ensino público, à saúde, já nem falo do bando de malfeitores e carroceiros com o nome sujo na praça pública que vão circulando pelos altos cargos da Nação.

Depois de tudo isto visto e feito, fui verificar o que queria dizer a palavra “rentrée “ e encontrei no dicionário Priberam da língua portuguesa a palavra do dia ”REFALSADA”. (Falso, fingido, hipócrita, desleal, traidor e velhaco) que triste coincidência. Estava eu à procura de uma palavra e encontro o significado de um primeiro-ministro.

Passos Coelho, fingindo sair novamente para a rua, arranjou um espaço público mas vedado às pessoas, que não fossem do partido e convidadas com garantia que ali só iriam para bater magistralmente palmas a um discurso hipócrita, que aproveitou os resultados estatísticos para de uma forma velhaca anunciar a viragem da economia e o inicio do fim da recessão. Aproveitando assim os resultados económicos pontuais para se tentar expor ao povo ainda que de forma “refalsada”, tais foram as medidas de segurança.

De forma traidora à Constituição da Republica à qual fez juras, anunciou no seu discurso um bode expiatório, o Tribunal Constitucional, para espiar os seus ataques torpes destruidores de direitos conquistados e devidamente consagrados na lei fundamental, como entrave aos seus ataques aos direitos a uma vida digna, como os direitos a reformas e pensões, educação, saúde, etc., no reinicio de um trabalho escravo pago miseravelmente, a conta-gotas e intimidatórios com perdas de feriados aumento de cargas de trabalho semanal, no regresso ao neo-liberalismo puro e duro dos tempos da revolução industrial.

Passos Coelho no seu discurso, esqueceu-se de lembrar que já o ano passado anunciou ali a viragem da economia e prometeu melhorias.

Agora esquecendo as promessas, vem usando-se de estatísticas de um PIB de 1%, mas cauteloso, sabendo ele que vai pedir mais sacrifícios nos continuados ataques às pensões e reformas, ao emprego da função pública como a lei da mobilidade e sabe-se lá que mais.

Passos sabe que não pode gritar aos quatro ventos os dados das estatísticas, porque sabe que eles vão piorar, com a continuação das suas políticas recessivas de destruição, daí ele afirmar “Ninguém tome por adquirido que a crise acabou”, porque ele sabe que a crise vai continuar, mas continuando a esconder mordomias dos políticos em leis aprovadas pela surra.

Em campanha pré-eleitora,l deixou recado aos partidos da oposição nas autárquicas que será o PSD que estará em escrutínio nas eleições e não o governo.


As medidas de austeridade aplicadas por Passos Coelho, são apenas um ataque de neo-liberalismo fundamentalista que abomina o funcionalismo público e empresas do estado, que aproveitando-se da necessidade de reestruturação do estado lançou um ataque feroz a tudo que ainda resistia às políticas de destruição praticadas nas últimas décadas, fazendo dos funcionários públicos o seu alvo, ultrapassando em números e em tempo os objectivos da Troika, forçando o aumento de desemprego mas sabendo que abre portas à mão de obra barata, como objectivo de fundo.


Depois de tudo isto, o discurso do Pontal é na sua essência o discurso de um país tornado pobre, com uma linguagem fingida, dita de uma forma desleal à Nação que ainda acredita no discurso do coitadinho.



sexta-feira, 16 de agosto de 2013

ACABOU A RECESSÃO. VIVA!

Os dados da economia portuguesa mostraram que Portugal e a Europa entraram em retoma. Ou melhor, acabou a recessão. E mais! Portugal foi o país que mais cresceu na zona Euro. Apesar do PIB ainda se encontrar em quebra, já há sinais de inversão. A França cresceu a Alemanha ainda mais só destoa mesmo é a Holanda.


Lembram-se da Holanda?
Sim os Países Baixos, falava-se que seria o próximo país a tombar e por sinal está a dar mostras. Havia até quem apostasse que o próximo país a precisar de ajuda seria a Holanda. Aquele que não queria ajudar Portugal.

Mas pronto com a retoma económica tudo se esquece.

Sendo assim vamos comemorar.

As exportações estão a aumentar, a inflação está controlada e tudo parece entrar nos eixos.

Já não era sem tempo!

Viva o Gaspar (apesar de ter fugido) viva a politica recessiva mantida pelo Passos Coelho e viva Paulo Portas que agora pegou na pasta da economia, e ele agora junto com o Pires de Lima vão recuperar Portugal.

Mas o que me faz confusão aqui è que as medidas de austeridade estão para continuar e para agravar os bolsos dos portugueses. Mais despedimentos, mais gastos com a segurança social e Orçamento de Estado, mais cortes nas reformas e subsídios e mais não sei o quê que nos espera.

Espera-nos outrossim menos dinheiro disponível e logo menos consumo, logo a balança se equilibra mais. Cada vez mais a produzir para as exportações e cada vez menos a importar e a consumir menos devido à diminuição dos nossos orçamentos.

Mas a história da Holanda é que não me sai da cabeça.

Não me sai a Holanda e não me sai os Estados Unidos. Não me sai o Japão e não me sai a China. Não me sai o Brasil e não me sai a Europa. Não me sai a Rússia e não me sai a África do Sul, ou não me sai o Médio Oriente, ou melhor, não me sai o mundo nem as guerras que estão para vir por causa da crise.

Os EUA que são o motor da economia mundial, fizeram uma recuperação técnica, fraca mas fizeram.

Á custa de quê? Á custa de uma intervenção feroz da Reserva Federal Americana, que inundou o mercado com dólares para espevitar artificialmente a economia. E fez de uma forma simples, aumentou a massa monetária nos tais (EQ 1, 2 e 3) que deu confiança ao mercado. Era simples eles aumentavam a divida através de emissão de Obrigações e davam garantia de a recomprar. Ora lá está, quem também comprava sabia que em caso de algum problema, havia sempre quem comprasse essas emissões de divida adquirida. E a economia rolava, a Reserva Federal emitia e ía comprando uma parte e tudo corria bem. Mas agora a Reserva Federal veio anunciar o fim desse programa de compra de títulos do tesouro e outros activos. Ou melhor a bolha criada à volta desta politica está prestes a rebentar.

E como vai reagir o mercado descontente com o fim aos estímulos da economia?

Fugindo desses activos deixando a FED com o lixo por si criado e provocando a maior depressão de que haverá memória. Tanto é que mal o fim do programa foi anunciado mesmo que gradual, os mercados reagiram mal, com a s bolsas a espelhar isso.

Ora a ideia de poder revender os títulos da divida americana (que foi comprando) mal a economia melhorasse, podem ser uma “pescadinha de rabo na boca”.

Os mercados já estão assustados, retraem-se e fogem desses activos financeiros e de outros.

A FED cuja ideia era retirar o dinheiro gerado artificialmente com que inundou o mercado , pode não o conseguir. Sendo assim aquilo que há uns anos escrevi aqui mantêm-se válido. Assistiremos a uma desvalorização monetária da moeda e assistiremos a uma inflação galopante, coisa que eles sempre temeram. O financiamento à economia através de emissão de divida como eles sempre souberam fazer, não vai ter adeptos e assistiremos ao inicio de uma nova depressão.

Com a economia americana em recessão, a Europa que estava a dar os tais sinais de inversão, não passarão de anúncios de sinais. Com os americanos em recessão logo seremos os primeiros a ser atingidos porque exportamos para lá grande parte do que produzimos.

Nós por cá continuaremos com a luta contra a necessidade de um novo resgate que vai acontecer, embora com outro nome, a Grécia já o vai ter depois das eleições alemãs, a Holanda é como eu disse, a França tomba e de resto a Europa entra também em crise e paira a ameaça do fim da União Europeia, com a desvalorização do Euro.

A China que já anda preocupada com a sua economia, acaba mesmo por abrandar, não havendo política de estímulo interno que a salve, porque vive essencialmente de exportações e com os outros em recessão também acaba por sofrer na mesma.

A Rússia nem com a libertação dos presos por delito económico para tentar espevitar a economia se safa, que aliás a libertação é já uma reacção do Putin à crise.

O Japão é a desgraça que se vê, nem com a recente desvalorização da sua moeda consegue entrar em recuperação, com uma divida de 4 quadriliões de ienes.

De resto tudo vai por arrasto, a África do Sul com o ANC completamente corrompido aos interesses económicos, o Brasil, já a dar sinais e com problemas internos, com manifestações por todo o lado, por causa de um PT corrupto com alianças e enredos vergonhosos. O médio Oriente em Guerra que vai destabilizar a região e o mundo. O perigo do radicalismo islâmico. O petróleo a subir e a agravar a economia, enfim, tudo perdido.

Eu sempre disse que em períodos recessivos haveria anos menos maus que outros a parecer que tudo mudava.

E estes dados da economia que já andam para aí a embandeirar em arco, só vão servir para o Passos Coelho nos iludir e animar para as eleições autárquicas lá na festa do Pontão. De resto… esperem pelo tombo lá para 2014.