quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Exmo. Senhor Administrador dos CTT

                                                                                                                                   Exmo. Senhor

                                                                                                                         Francisco de Lacerda

Senhor Administrador dos CTT, em primeiro lugar queria agradecer-lhe por me ter escrito esta singela carta.


Apesar de eu nunca lhe ter escrito, admiro muito a sua amabilidade e disponibilidade, pelo facto de se ter lembrado de mim, pois eu nem sequer o conhecia, pelo que recebi a sua carta com elevado apreço.

Queria agradecer também aos CTT, que em seu nome se lembrou de mim, neste momento tão importante de mudança de vida desta empresa.

Pois já havia lido a notícia, mas de tão absorvido com o aumento do horário de trabalho na função pública e com os cortes de ordenado que nem tive tempo para lhe prestar atenção a tão proveitosa notícia.

Bem abençoada seja vossa senhoria uma vez que estamos a passar por dificuldades imensas a nível financeiro.

O senhor ao enviar-me esta carta abriu-me a perspetiva de poder ganhar mais um dinheirito, que em abono da verdade bem falta faz, com esta dispersão em bolsa dos CTT.

Sabe que ao abrir a caixa do correio que religiosamente faço todos os dias, que não sei por que razão o faço de forma tão maquinal. Se calhar é da importância que sempre dei às cartas, que marcaram tanto a minha vida.

Ou porque tive que largar a minha terrinha cedo e como sabe, sendo eu pobre a única forma de comunicação com a minha saudosa mãezinha era através da tradicional carta que funcionou muito bem para mim, enquanto não se proporcionaram as novas formas de comunicação que tanto se popularizaram nos nossos tempos.

Mas antigamente a vida era assim. O “correio” era das coisas mais importantes que nos acontecia.

Sabe, o meu pai teve que emigrar à semelhança destes novos tempos que correm e sempre que o carteiro vinha com uma carta na mão era uma imensa alegria.

Vivíamos numa localidade onde a carta era uma coisa quase sagrada.

Havia até um inseto tipo um besouro, que quando ele aparecia pressagiávamos a chegada de correio. A partir daí lá estávamos nós ansiosos todos os dias mortos que o carteiro chegasse com novidades do meu pai, que sempre que podia enviava umas notitas no meio da carta para pagar a divida à padeira que avultava porque as bocas eram muitas.

Mais tarde sem prever esse meu destino acabei por vir a ser carteiro por uns tempos, que foi o suficiente para entender de sobremaneira a importância de uma carta, de uma encomenda, de um vale postal ou daquilo que é mais sagrado para muitos seres humanos, que é a sua reforma ou pensão.

Senhor Francisco de Lacerda, nem o senhor nem estes governantes sem afetos nem sentimentos, sabem da importância de uma carta trazendo a parca reforma.

Não sabem o entusiasmo com que é recebido o carteiro “como um Deus”, muitas vezes ao início da rua, ou da aldeia, onde são aguardados no dia certo a chegada com tanta ansiedade que nem se consegue fazer nada enquanto o carteiro não chega. A carta com o vale que vai tirar da agonia tanta pobreza muitas vezes envergonhada.

Sabe da importância de uma notícia vinda lá de um outro canto do mundo?

O senhor imagina a relação de afinidade e empatia que se cria entre o carteiro ou funcionário da estação dos correios, lá na aldeia ou no bairro, onde se trocam intimidades, tristezas, alegrias com o envio de uma carta ou encomenda?

Sabe o que isso significa, a familiaridade e o apoio que certos idosos e leigos encontram nos funcionários dos CTT?

Senhor de Lacerda, que nome pomposo o senhor tem, deve ser bem-nascido!

Mas o senhor teve uma atitude nobre. Escreveu-me uma carta dizendo-me que chegou a vez de o senhor me escrever com boas notícias!

Mas lá esperava eu por tão melindrosas notícias!

Então o Senhor escreveu-me para me anunciar que vai fazer como os seus amigos do governo, contribuir para baixar o nível salarial dos portugueses e aumentar o desemprego!

O senhor e seus cúmplices preparam-se para entregar ao privado uma empresa estratégica e tão lucrativa e acima de tudo tão emblemática!

Quantos despedimentos isso vai custar e quantas famílias o senhor vai colocar em dificuldades?

Quantos funcionários vão empurrar para a desgraça do desemprego?

Quantos trabalhadores precários pagos com míseros salários o senhor vai criar com a carta que me escreveu e que eu não lhe pedi?

Quanto gastou com essas cartas que eu e tantos outros como eu não pedimos para receber?

O senhor sabe se ainda temos dinheiro para esses devaneios bolsistas e especuladores?

Pior ainda, vai desumanizar ainda mais e tirar o pouco que existia por essas desterradas localidades portuguesas aquilo a quem as pessoas têm tanto apego, a sua estação dos correios?

Embolsam uns milhares numa privatização a troco uns milhões de lucro ao longo de todos estes anos, só porque querem privatizar tudo o que dá lucro?

O senhor vem dizer-me nesta tão desavinda carta que é um convite e que nos vai pôr a continuar a escrever esta história de sucesso dos CTT?

E o preço a que vão chegar as cartas?

E quando irão elas chegar?

Será que quem for para carteiro cumprirá a missão com a mesma dedicação a que nos habituámos, quando passarem a receber vencimentos miseráveis?

Quantas vezes vai passar agora o carteiro e onde vai passar a chegar agora?

Isso sim eram boas ações que passarão à história, com uma empresa tornada fria distante e a pensar unicamente no lucro.

Essas Ações que o senhor me quis impingir, faça delas bom proveito e sempre que receber os dividendos lembre-se das almas que ficaram sem receber correio, sem trocar afetos por causa de uns Lacerdas desumanos e sem sentimentos, que a pretexto de um neoliberalismo desenfreado, que até deu de mão beijada umas licenças bancárias a mais uns abutres estrangeiros que nos vieram rapinar o pouco que ainda nos restava. Os nossos Correios.
Quinhentos anos (da nossa história) destruídos assim.
Só porque é um negócio rentável.
O sucesso em bolsa que virão reclamar será a desgraça de muita gente por esse país fora, quer sejam trabalhadores ou clientes, mas para gente sem preocupações, sem sentimentos e alheados da realidade, afinal que é que isso importa?
Tenham dó.


sábado, 16 de novembro de 2013

O DIA EM QUE TUDO MUDOU


É sabido que as guerras são provocadas por questões económicas.


Sabemos que os EUA estão completamente endividados e que a única salvação por eles encontrada é aumentar o teto da sua dívida. É o mesmo que dizer que os americanos estão sem dinheiro para as suas despesas e que a solução é pedir mais dinheiro emprestado, continuando a endividar-se até não poder mais.

O problema é que se não se financiarem, aquele país afunda-se e se isso acontecer arrasta tudo atrás de si.

Sempre que este país está em crise inventa uma guerra, para relançar a sua economia e sabemos também que os problemas surgidos na crise do “subprime” não foram resolvidos e não tarda muito vão reaparecer, porque as formas de resolver a economia continuam as mesmas, através de alavancagens ardilosas e que agora o problema já não está só na banca e está já nas empresas que se financiam através de obrigações no mercado como é bem visível em Portugal, tal como nos EUA. A causa é não conseguirem crédito bancário por terem avaliações de rating baixo para o seu financiamento, empurrando o risco para o cidadão que ingenuamente acorre a esses aumentos de capital atraídos por juros mais elevados.

Estamos bem recordados das guerras produzidas por causa das recessões americanas.

Mesmo os mais novos lembram-se da guerra contra o Iraque no início dos anos 90, depois no início deste século novamente com o argumento do ataque ao terrorismo islâmico, a Guerra ao Iraque que ainda hoje se fala. Uma década depois e ainda bem presente o ataque à Líbia e agora o pretenso ataque à Síria, com o argumento do uso de armas químicas por aquele regime.

Suspeita-se que estas guerras desde o 11 de Setembro de 2001, foram armadas para meter as mãos no Médio Oriente que fornece grande parte de petróleo ao mundo.

Que não só fornece petróleo como também gás natural e por isso é motivo de cobiça.

Por esta razão tem havido disputas e guerras para o controlo da região.

Sabemos também que o principal aliado dos EUA na região é a Arábia Saudita e que a Rússia controla parte daquela região e que ali tem interesses económicos.

Muito se tem falado sobre os interesses que os EUA e a Europa têm na região. Daí estarem apostados em fomentar guerras para apostarem em regimes próximos que lhes garantam manter o filão do petróleo e gás tão necessários para às economias ocidentais em declínio.

Após a destruição de Sadan Hussein, com o embuste do perigo para o mundo das armas de destruição massiva que nunca apareceram, conseguiu-se evitar que aquele país vendesse petróleo em Euros e desta forma ameaçasse a moeda padrão mundial, o Dólar. Tentou-se fazer o mesmo com a Venezuela e conseguiu-se mesmo com outros países de certa forma.

Posteriormente após um desejo de aproximação ao Ocidente destruiu-se a Líbia de Kadafi, que sonhava com a criação de uma moeda africana forte.

Mas os problemas económicos subsistem, perante a disputa de controlo do Médio Oriente, atrapalhada pela Rússia, em que esta controla parte dos gasodutos da região por onde o Ocidente pretende receber o gás natural essencial à Europa em que irá passar um deles pela Síria.

Sendo a Síria uma aliada da Rússia, o que é necessário é destituir Bassar al Assad, para deixar o caminho livre à construção do gasoduto e desta forma deixarem de ficar dependentes do fornecimento e controlo pela Rússia, uma vez que os outros países já têm caminho livre.

No seguimento da primavera árabe que se iniciou nos países da região, na Síria tentou-se o mesmo. Apesar do apoio do Ocidente aos rebeldes opositores daquele regime, não foi possível a mudança para um regime favorável.

Perante as dificuldades criou-se um pretexto de que a Síria estaria a usar armas químicas para matar o seu povo, facto este ainda não comprovado, suspeitando-se mesmo que tal veneno fosse usado pelos rebeldes impreparados para o seu uso.

Os americanos e europeus vieram logo acusar o regime Sírio de genocídio contra o seu povo, criando um pretexto para uma intervenção armada pelos EUA e seus aliados.

O Nobel da Paz, Barack Obama, disse que o uso de armas químicas não pode ficar sem resposta e fez saber que a operação militar, a avançar, teria características próprias: «[Será] apropriada, proporcional, limitada e não envolve “botas no chão” (...) a Síria não é o Iraque e não é o Afeganistão.»

Entre ameaças de intervenção armada, no dia 3 de Setembro de 2013, pelas 10H15, deu-se início ao ataque com o disparo de dois misseis que teriam sido intercetados pela Rússia, que destruiu um no ar e desviou outro para o mar.

Na Rússia a notícia espalhou-se, mas Putin prontamente a desmentiu. Possivelmente através dos canais diplomáticos iniciaram conversações com os americanos que terminaram com os ataques. Ao fim de duas horas estava tudo mais ou menos explicado.

A guerra começada pelas 10H15 terminou um minuto depois, com a interceção dos referidos misseis.

O prelúdio de uma devastadora guerra no Médio Oriente que ninguém percebeu o seu inico, acabou num ápice.

Putin, habilmente poderá ter aconselhado os americanos a desmentir a notícia, que era negada quer por eles quer por Israel, de que não haviam lançado nenhum ataque.

Depois surgiu a confirmação de Israel a informar, que os misseis teriam sido usados no âmbito de exercícios militares conjuntos entre os dois países, mas que nada tinha a ver com a Síria.

Agora o que não foi dito parece ter sido bem diferente.

Os EUA deram início ao ataque à Síria, apesar de os Russos terem dito através de Lavrov que um ataque à Síria era considerado um ataque à Rússia. Deixaram claro que não aceitariam ser mais vezes enganados como aconteceu com a Líbia.

Os Americanos não levaram a sério, mas ao que parece ao ver os seus dois misseis intercetados, perceberam que afinal os Russos estavam ali para defender a Síria e os seus interesses e que a persistência no ataque podia criar um conflito sério e arrastar-se para uma 3ª Guerra Mundial, em que os EUA não estão em condições de suportar. E a nível militar sentiram-se surpreendidos pelas capacidades dos Russos, que não só os neutralizaram como aumentaram a sua presença na região.

Daí que se possa afirmar que uma guerra que podia ser devastadora para a humanidade, foi inteligentemente bem gerida por Putin. Convenceu os EUA a porem termo às suas intenções e ainda lhe serviu de bandeja uma forma airosa de sair desta humilhação, que ao que parece passou por convencer Israel a assumir o disparo dos misseis e inventar um teste ao seu sistema antimíssil.

Ainda também circulou a notícia que os misseis teriam ser disparados de uma base militar dos EUA em Espanha, sabendo-se que tinha sido negociado em Abril com os espanhóis o seu uso para atacar a Síria. Mas por estes lados não se soube nada, porque tudo foi abafado e a única coisa que transpareceu foi que os EUA aceitavam não atacar a Síria se esta se comprometesse a entregar o seu arsenal de armas químicas, por proposta de Putin.

Possivelmente uma imposição Russa depois do incidente militar e tudo orquestrado nesse sentido, uma vez que os Sírios não se opunham.

Os Russos deram-lhe a deixa e agora sobre a sua imposição, assinou-se um acordo em Genebra, em que nem sequer se acordaram consequências caso a Síria não cumprisse.

Vem também a provar-se que os rebeldes sírios não estão interessados na paz, ao não comparecer à cimeira e acusando de traição quem lhe dava apoio bélico.

Perante este cenário os americanos abriram as portas com toda a cordialidade ao velho inimigo Irão.

A oposição síria comandada pelos sauditas implodiu e espalha-se por várias facões cada vez mais radicais perdendo terreno para o exército sírio. Correm notícias de que Riad está a mobilizar grupos islamistas sob seu controle, como nova força combatente na Síria.

Os Sauditas foram apanhados de surpresa e agora sentem dificuldades em encontrar apoio dos países sunitas da região, contra o irão que agora se aproxima dos EUA, e devido ao sucedido com a Síria e pelas conversações de Genebra.

Depois de gastarem milhões na aposta de mudança de regime da Síria, os Sauditas sentem-se agora sozinhos e boicotaram a sua tomada de posse no Conselho de Segurança das Nações Unidas, como uma manobra de protestar contra a sua falta de controlo na região e contra a reviravolta americana.

Os americanos e europeus “enfiaram a viola no saco” e perceberam que o mundo mudou.

Tudo isto por causa de dois misseis e no espaço de um minuto.

As voltas que o mundo deu.

domingo, 27 de outubro de 2013

PRIVATIZEM OS CTT

O governo prepara-se para privatizar os CTT. O encaixe financeiro servirá para aliviar as contas ao Orçamento de Estado e como nas restantes privatizações enganar na execução orçamental, fazendo crer aquilo em que ninguém acredita.
 Sempre foi assim ao longo das várias privatizações, vender os anéis e ficarem os dedos, que somos nós a força de trabalho e de exploração.
 De resto os ricos que levem os anéis a preço da “uva mijona”, que apresentem sempre grandes resultados financeiros e que continuem a construírem fortunas, agora nas mãos dos privados como a PT, EDP, CIMPOR e a banca etc.
Todos dão chorudos lucros, depois de vendidas ao desbarato para maquilhar as contas do orçamento e para servir um certo sistema económico que nos asfixia cada vez mais.
Agora privatiza-se os CTT. Cria-se um Banco, o falado Banco Postal, para se tornar mais apetecido.
Depois despedem-se uns quantos trabalhadores para o Estado suportar a sua desgraça. Fecham-se umas repartições de finanças e mais não sei que mais haverá para encerrar. Ah os Tribunais. Pronto juntam todos estes centros de (in)competências, numa espécie de Loja do Cidadão provinciana, junta-se tudo numa Estação dos CTT entretanto privatizada, paga-se-lhe uma boa renda para o novo dono engordar bem os bolsos e fica tudo resolvido.
Não se encerram alguns dos Correios e cala-se o povo. Metem-se uns serviços públicos lá dentro e cala-se os tolos.
Afinal nada fecha. Faz-se uma espécie de remodelação e entretanto entrega-se nas mãos dos privados a gestão da causa pública.
Metam nas Estações dos CTT, as Finanças, Tribunais a GNR para os guardar, os serviços de água, sei lá…, metam também os Centros de Saúde, vão ver que os CTT ou o novo Banco Postal vão dar muito dinheirinho a alguém.
E os portugueses a pagarem.
Bandidos, eles?
Parvos nós, os portugueses!
 Quem sabe se um dia não fazem mesmo isto, afinal há muita estação dos correios pelo país fora para serem rentabilizadas e muita gente para despedir.
Ah e as bases de dados dos clientes, vão dar também muito dinheirinho ao ser vendidas.

Somos todos uma cambada de burgessos. 

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

A cleptodemocracia instalada

A cleptomania é um distúrbio que leva as pessoas a roubar sem muita consciência e sem necessidade.

Os estados cleptomaníacos serão estados onde os seus estadistas sofrem destes distúrbios sem “consciência” mas garantidamente sem necessidade.

Relativamente ao que se tem verificado em certos regimes ditos democráticos, ou os eleitores são coniventes, aceitando o facto como coisa normal, ou as pessoas sofrem de inconsciência, ou estão alheios à realidade dos seus governantes.

Se levarmos em conta o artigo publicado pela Reader´s Digest, Lisboa é a cidade menos honesta do mundo. Logo se concluirá que somos um povo desonesto.

Se somos unânimes a considerar que os políticos são desonestos, concluiremos que quem nos governa é desonesto. Usando o princípio da lógica Aristotélica.

Mas não podemos pensar assim.

Temos sido governados por um grupo de partidos, que se reveza nos altos cargos da nação. Ora estão no governo ora estão nas empresas ou nas diversas entidades públicas onde praticamente têm sido os mesmos desde há 38 anos.

Juntando os se que formaram nas jotas desses partidos e começaram a ocupar os lugares dos mais velhos, concluímos que os tais mais de três mil lugares nos altos cargos são ocupados sempre pela mesma gente.

Contando que há mais de 30 anos esses senhores na sua maioria eram quase todos pobres como nós e com o correr do tempo se transformaram em novos ricos, de onde lhes veio o dinheiro?

Serão eles cleptomaníacos?

Acho que não!

Para mim esses senhores são apenas seres bafejados pela sorte. Eu até acho que eles se fartaram de ganhar no euromilhões, mas calaram-se bem caladinhos. Ou se calhar são daquele tipo de pessoas, que dão um pontapé numa pedra e o dinheiro aparece-lhe.

O que é certo é que a nossa democracia está cheia de gente rica, rodeada de uma multidão de pobres num país falido.

Pela comunicação social e redes sociais, são muitos os casos denunciados, de elevados ordenados, acompanhados de mordomias e suspeitas de enriquecimento ilícito, alguns levados a tribunal e outros que ninguém sabe.

Rui Machete, faz parte dos tais homens do aparelho, que ocupam cargos governativos e rodam pelos tais cargos de nomeação onde se acumulam avultados ordenados e se constroem fortunas.

Rui Machete conforme ele diz representa a “podridão dos hábitos políticos”, de andar por vários governos, de instituição em instituição, como o Banco de Portugal, Fundação Luso-Americana, Fundação Oliveira Martins e o vergonhoso BPN.

Este homem sempre passou despercebido, de cargo em cargo até que mesmo ainda aos 73 anos não resistiu à chamada para o governo mais vergonhoso até agora conhecido.

O homem que tem como pensão 132 mil euros e declarou rendimentos de trabalho de 265 mil euros em 2012 (uma afronta aos portugueses), tem o desplante de em vez de se demitir, vir dizer que está em curso uma campanha de assassinato político.

Rui Machete acumulava 31 cargos nas mais diversas entidades, antes de ir para este governo. Era presidente das assembleias gerais do BPI, BCP, grupo de seguros Ageas, SAER - Sociedade de Avaliação de Empresas e risco, EDP renováveis e era presidente dos conselhos fiscais do BCP investimento, Taguspark e membro do conselho consultivo da Comissão Nacional de Luta contra a Sida e do conselho geral da Fundação Mário Soares.

Rui Machete tinha que vir para este governo para ser notícia e para o povo entender no que se tornou este país.

Muitos Machetes e muitos Relvas andam por aí escondidos a precisar de sair da toca do coelho, para entendermos como estes democratas levaram o país à ruína.



Rui Machete mentiu ao parlamento sobre as acções que detinha no BPN/SLN e dos seu chorudos ganhos que os portugueses agora andam a pagar.

Depois de vir pedir perdão a Angola, pelo trabalho da justiça de investigação criminal à plutocracia angolana, colocou sobre suspeita a separação de poderes que tenta resistir em Portugal, dando a entender que conhecia o processo.

Rui Machete humilhou um Estado Soberano, dando azo a que os Angolanos nos atacassem de forma tão vil e humilhante.

Mas um homem destes não se demite de Ministro porque já não há vergonha em Portugal.

Ainda por cima, Passos Coelho vem dizer que ele é um homem com uma enorme cidadania. Tudo o que fez não é uma circunstância grave, que não pôs em causa a credibilidade do Estado Português e não cometeu nada de grave.

Por haver nas altas esferas muita gente assim é que isto é uma verdadeira cleptodemocracia sem pudor.

Por tudo isto é que os angolanos dizem que as elites portuguesas são corruptas e ignorantes.

Eles lá sabem do que estão a falar, mas nós aqui parece que não sabemos mesmo nada.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Os PAPA-REFORMAS ou MATA-VELHOS?

Os “papa-reformas” ou “mata-velhos”, foi uma espécie de microcarros que surgiram em tempos, como alternativa para os reformados que não tinham carta de condução para ligeiros e desta forma passaram a ser condutores ainda que perigosos. Devido ao preço e manutenção assim como os acidentes causados classificaram-nos desta forma.

 Perdoem-me a designação que até é ofensiva a tamanha afronta, mas agora surgiram uns novos “mata velhos” ou “papa reformas”. Chama-se Governo Nacional.

Estes papa-reformas, foram encabeçados por Passos Coelho, que vieram com a ideia da TSU dos pensionistas, para lhes papar as reformas, em que Paulo Portas até discordou em parte, fazendo bluff numa espécie de show-off.
Na altura em que fez tremer o governo, Portas mostrou-se contra essa medida de austeridade, não se sabe se preocupado com as eleições que aí vinham, se preocupado com a promoção dentro de governo que também aí veio.
O que é certo, o agora promovido a vice-primeiro, veio após negociações com a Troika, com esta medida, atacando cobardemente (ao que li na imprensa) com esta afronta aos velhinhos indefesos, quando na sua esmagadora maioria são idosas com mais de oitenta anos, completamente desarmadas perante as garras vorazes de um governo que só se pode apelidar de mata-velhos.
Ainda veio Passos Coelho dizer que austeridade não é sadismo.
Claro que não é sadismo nem masoquismo, muito menos crueldade. 
Eles os velhinhos podem fazer colheres de pau, ou apanhar cartão que é coisa leve.
Elas as velhinhas, que vão trabalhar a dias, limpar escadas, ou mesmo cuidar doutros velhinhos com ricas reformas e casas fartas, ou então se não puderem, olha que comam menos se é que ainda têm algo para comer. 
Que deixem de ir ao médico e tomar medicamentos, ou que vão viver como mendigos, se não tiverem dinheiro para as rendas, depois de lhe terem cortado a eletricidade, água e gás.
Antigamente diziam que os chineses davam injeções atrás da orelha aos velhinhos para morrerem e que os comunistas na Rússia comiam criancinhas. 
Eu sempre tive alguma dificuldade em acreditar, mas agora começa a pensar que se calhar era verdade, ao ver no meu País um governo que não ajuda a nascer ninguém, que nos manda ir embora e agora  vem ajudar a morrer os velhinhos,  cortando nos €250 ou menos de pensão de sobrevivência.
Vem  afetar 546 mil idosas (81,6%) com mais de 80 anos.
Ai bem se pode chamar a este Governo o papa-reformas ou melhor o mata-velhos, tal é a dureza contra tanta gente indefesa.
E agora Paulo Portas, que recebias tantos votos dos velhinhos, que gostavam tanto de ti?
Ai vais matá-los vais!
Vais perder muito voto, vais vais!

domingo, 6 de outubro de 2013

A MISSA REPÚBLICANA

As missas a que me habituei, eram daquelas missinhas ao domingo de manhã em que éramos obrigados a ir e prestar contas lá em casa. Mas havia uma técnica, era aparecer ao final da missa e saber quem tinha lido a epistola e assim enganávamos as nossas mães.   


Nós rapazes à medida que nos íamos tornando espigadotes, começávamos a furtar-nos àquela maçada, que era ouvir o Sr. Padre lá do “seu” altar a proferir sempre a mesma lengalenga, embora com homilias ligeiramente diferentes reportando-se a episódios bíblicos, cuja intenção era revelar-nos a verdade de Deus, acompanhadas de recados à comunidade.

O padre era assim como que um mensageiro da fé, que nos ensinava o caminho da verdade.

Eu sempre me convenci, que as pessoas que iam à missa, não iam para ouvir o padre a falar sobre passagens bíblicas, mas sim por uma questão de fé e tementes a Deus, que nos levava a pensar que lá nos céus há Alguém acima de nós que nos observa e conforme nos habituaram a crer, esse Alguém nos desculpa pelo mal que fazemos ao próximo e pela confissão está sempre disposto a perdoar-nos.

E sempre que alguém se sente pecador, lá está pelo menos aos domingos a pôr a mão no peito fazendo o seu ato de contrição, quer seja rico ou pobre. 
Nos pobres é mais uma espécie de devoção com pedidos a Deus na esperança de uma vida melhor, já quanto aos ricos, pedem remissão dos pecados cometidos que pela confissão e pela missa dominical se sentem absolvidos, acompanhado de uma famigera moeda na bandeja à passagem do peditório, para que todos observem a sua suposta bondade para com Deus e a Igreja.

No final da missa  lá vão convidar o Sr. padre para ir almoçar lá em casa, para terem uma maior proximidade com Deus e acumularem mais indulgencias.

À despedida os menos avarentos oferecem um envelope com umas notinhas para o sr. padre fazer a sua vidinha porque também é filho de Deus e assim se converte mais um cúmplice.

Fica-se redimido para uma nova semana de opressão e atropelos àqueles e às leis que os regulam como seus servidores, sujeitos à batuta que novamente se torna opressiva.

O que é certo é que ninguém gosta de faltar à missa de domingo, quer seja para se pavonear pela igreja adentro, ou para reparar em quem lá vai ou deixa de ir, ou então para se inteirar dos últimos acontecimentos do burgo, que ali fazem notícia.

Quanto a fé cada um toma a que quiser, mas sempre temendo a Deus, não as vá o diabo tecer.

Ontem já não foi feriado, por pecado governamental, o dia da implantação da República, em que se tentou separar a igreja do poder, já não é feriado, e como tal não houve a mesma missa, como acontece aos feriados e domingos.

Aqui o "padre" e o rico banquetearam-se, mas mais sórdido ainda, com um governo comungando da mesma mesa e na figura do sacerdote retribuiu as esmolas, os almoços e envelopes oferecidos para remissão dos pecados, a troco de mais uns dias de trabalho para assoberbar os bolsos famintos de ganância dos nossos empresários e patrões.

E assim os pobres diabos continuarão a pedir a Deus por melhores dias, pela miséria que a cada hora se avulta.

Quanto à missa que ontem já não houve, essa sim foi apregoada agora pelo Cardeal, que de uma forma apadralhada e masoquista, aplicou um sermão aos seus acólitos com um discurso rendido à inevitável desgraça de um ajustamento às necessárias medidas de austeridade impostas pela Troika.

Numa homilia vazia de conteúdo mas cheia de conformismo, Cavaco Silva não disse nada, porque já nada tem para dizer. Proferiu palavras sem assunto, escusando-se a dar recados a quem quer que fosse, aceitando a crise como uma inevitabilidade, onde os presentes no meio de bocejos pela maçada marcaram presença na eucaristia, cumprindo um ato de fé, fazendo de figuras devotas e representantes institucionais de uma democracia que não funciona, com medo de sacrilégios ou receio de ser excomungados e aproveitando para se pavonearem.

Salvou-se a leitura da epístola de António Costa, com um discurso luterano, que de certa forma tem vindo a conquistar alguns adeptos fervorosos e esperançados na ascensão de uma nova religião.

Quanto ao nosso Cardeal e restantes sacerdotes, apressaram-se a entrar para dentro da “igreja” tentando ignorar os apupos e assobios dos ateus que do adro pediam "demissão". Apesar de não serem assim tantos, já são mais que suficientes para ensurdecer as suas cabeças, cada vez que aparecem em público, mesmo que de fugida.

E assim entre uma espécie de retiros e visitas papais, como a última à Suécia, o nosso "Sumo Pontífice" vai largando umas atoardas, contradizendo o que anunciou cá dentro, falando aos ricos lá de fora, que tudo está bem, que a salvação está próxima e que todos alcançarão os reinos dos céus sejam uns de barriga cheia, sejam outros com ela vazia.

Se calhar masoquismo é mesmo uma questão de fé. Falo de mercados, claro!

Porque aqui nós já não há fé que nos salve.

Mas pronto vão lá à missa.

Ah, no dia de todos os santos, não!

Já não é feriado, teremos que trabalhar religiosamente conforme nos obrigam.

A bem dos mercados lá fora e por causa da crise cá dentro.



segunda-feira, 30 de setembro de 2013

PORTUGAL FASE 2, COMEÇOU

Amanhã será uma nova etapa da vida dos portugueses.
O reconhecimento, de que as pessoas estão a ficar fartas dos partidos do poder (arco da governação), que já o tinham expressado noutras eleições através do Bloco de Esquerda, mas agora a expressarem o seu desencanto nos candidatos independentes, esvaziando os Bloquistas e dando acima de tudo a vitória à abstenção, sinónimo de descrédito dos políticos.

A afirmação da CDU que encontrará mais legitimidade e apoio, na sua luta de contestação e que dificultará a vida ao Partido Socialista como alternativa ao governo. Portanto prevê-se endurecimento e legitimidade para a contestação através da CGTP. Isso fragilizará o governo, que saiu derrotado nestas eleições e com dificuldade em levar por diante as medidas de austeridade que agora se prepara para apresentar, após eleições, que serão sufocantes para os portugueses.
A nível nacional a situação politica irá degradar-se, sem saída para o governo e sem margem para Cavaco que astutamente já prevendo tais problemas apelou novamente ao entendimento de forma a segurar as politicas de austeridade do seu partido, agora sem força para as impor, tal será a contestação.
A par disto a Itália vai entrar num período conturbado com dificuldades em segurar o governo, correndo o risco de novas eleições. A crise que estava adormecida não Europa vai despertar novamente e alarmar a todos, esmagando os juros dos países do sul.
Os juros da dívida pública irão disparar, naquele país e Portugal que sexta fez uma correcção técnica até aos 6,7%, irá iniciar uma nova escalada de subida tornando insustentável a governação com juros muito acima dos 7% (de limite). Os mercados irão castigar mais a nossa dívida com a derrota eleitoral do governo, com os investidores a fugir da divida pública portuguesa, até porque agora se tornará mais certo um segundo resgate e perdão de parte da dívida.  
Portugal hoje deu mostras de se preparar para um período de uma enorme instabilidade politica sendo estas eleições um mau prenúncio.
Seguiremos mais ou menos o caminho da Grécia, mas aqui com os comunistas a sentirem-se legitimados para a contestação.  
Vamos ver se o governo quase já cadáver, chega ao Natal.
Portugal, fase dois, começou.