quinta-feira, 2 de outubro de 2014

http://atoa2014.blogspot.pt/

http://atoa2014.blogspot.pt é o blog de um grupo de transmontanos, movidos por sentimentos vividos pela saudade e o orgulho do povo de uma terra que apesar dessa lonjura procuram encurtar através desta nova Associação de Transmontanos de Oeiras e Amigos (ATOA) que aqui pelos lados de Oeiras e seus arredores querem galvanizar, demonstrando que a sua alma e condição de transmontanos, mesmo longe é algo sempre presente, que é a mente de um transmontano que dificilmente alguém conseguirá transcrever, tal como nós o sentimos, a nossa condição de gente de raiz.
Nesse sentido e para vincar essa “transmontaneidade” que só nós sabemos viver e sentir, este grupo de amigos juntou-se com o fim de nos unir ainda mais, cá longe para nos tornar tão mais perto e vivos o quanto possível na sua alma ímpar e admirável que é aquela nossa espontaneidade sincera e desinteressada em cada gesto, em cada atitude para qualquer semelhante que de um verdadeiro transmontano se achegue.
Com esse propósito o ATOA já está a caminhar, no seu intento de nos unir na saudade, alegria e essência transmontana, e ter sempre presente aquela solidariedade, hospitalidade e altruísmo que é afinal a sua alma verdadeira.
Parabéns ao grupo que quer preservar a génese transmontana, que a queira divulgar ainda mais. Que queira integrar não só os transmontanos num grupo de gente de valia e fazer transbordar essa grandeza da pessoa humana na sua essência social de verdadeiros valores de que muito nos orgulhamos como transmontanos, mas sempre abertos a quem a nós se quiser juntar, os amigos.   

Para que não achem que os transmontanos são uns “babados” ou vaidosos no seu carácter (até porque as maldades nós transmontanos na sua maioria só percebemos que elas existiam depois que tivemos que atravessar o Douro, porque ali reina a verdade a solidariedade o desapego material e de certo modo a ingenuidade que nos obriga a desabrochar quando dali saímos).
Nesse sentido, um amigo de um grande vulto da literatura e dos valores aqui defendidos, um amigo de Miguel Torga, David Nasser (brasileiro), deixa o seu testemunho transcrito e que aconselho a ler:






Saudade defumada
Chaves, Trás-os-Montes, agôsto
AGORA vou entrar no reino do meu guia. Comecei esta viagem - que é uma romaria de amor - com Miguel Torga e é com êle que eu vou. É com êle que vou a Trás-os-Montes. Não posso me esquecer daquela noite, numa pequena rua da Tijuca no Rio de Janeiro mal sacudido por uma revolução sem sangue - e entre as paredes de uma residência transformada em centro tansmontano, a figura sombria de Miguel ao fundo da sala, a falar de um mundo seu. Tendeiros, biscateiros, marceneiros, canteiros, taberneiros, carvoeiros e outros eiros misturados a atacadistas, varejistas, sêco-molhadistas, capitalistas e outros istas de um reino emigrado. O reino maravilhoso daquela gente simples, da côr da terra, do coração grande e das mãos sempre estendidas - para o abraço ou para o murro. Não exite povo mais autêntico sôbre a face da terra que o povo de Trás-os-Montes.
OUÇO ainda o poeta a falar de sua província, a uma saudade estatelada dentro do salão. Um namorado a dizer maravilhas da namorada. A paixão - desculpou-se êle - é uma fôrça terrível, move montanhas, transpõe oceanos e obriga homens tímidos a essas violências do pudor. E lá ficou a falar de Trás-os-Montes, procurando não meter na conversa sombra de literatura. Suas palavras foram, na realidade, palavras físicas, realidades físicas, como urgueiras floridas, talefes brancos, restolhos dourados - doirados dizem êles - a fazerem, na oração, de sujeito, de verbo e de complemento.
EM vez de catadupas de som, o homem despejou cêstos de uva, sacos de castanhas, presuntos, facadas, procissões, feiras e uma encosta de Montesinho ou de Barroso a servirem de pano de fundo aos olhos de uma platéia enlevada. Em muitos olhos duros de português transmontano havia lágrimas. Talvez nos olhos de gente que não chorasse nem na morte da mãe.
AO escutar o idioma, como pedra cristalina, descendo das pedras de Torga, via-o a fazer a barba do pai, em S. Marinho de Anta, a ajudá-lo na semeadura, ou sentia-o a chorar numa fazenda de Leopoldina, em Minas, adolescente ainda, sob um saco de café, onde o que pesava mais era a saudade. Tenho a impressão de que essa palavra foi inventada aqui em Trás-os-Montes.
NOS poucos minutos daquela prosa, o telúrico levou seus irmãos pelo caminho que vai à padroeira de cada freguesia, misturou o seu barro humano como de sua gente, fazendo com que saísse da união a imagem verdadeira, ampla e significativa dum berço que é todo simplicidade. Falou sem preocupação de gramática nem de estilo, porque, ao primeiro sinal de retórica, aquêle berço deixaria de embalar.
DE olhos enxutos um povo esmagado de lembranças, Torga estendeu no soalho da sala o mapa invisível de Trás-os-Montes, e cada um se sentiu com os pés enterrados no húmus de sua aldeia. Os da Régua se sentiram na Régua. Os de Vinhais, em Vinhais. Os de Mirandela, em Mirandela. Os de Carrazeda, em Carrazeda. O que êle não imaginou é que eu, um brasileiro de Jaú, estivesse em Vila Real, a beber do vinho honesto do Padre Henrique, a almoçar na Quinta do Narciso, a comer em Rebordelo os salpicões da mãe do meu companheiro Luiz dos Santos; a dormir, sôbre aquêle chão dos netos do meu sangue, debaixo de uma ramada, como alguém que volta a uma pátria escolhida. A sua pátria intelectual.
ENTREI no regimento transmontano de Torga, formando a guarnição do pequeno mundo que viu nascer a todos aquêles bons homens que estavam numa sala explosiva de saudade. Desde então passei a mourejar com todos os glóbulos sarracenos prestes a incendiarem como os xistos de lá. A saudade de um trnsmontano é saudade defumada, que conserva a gostosura da carne, a doçura do clima e a amargura da terra. O homem fêz descer a todos, fêz voltar a todos, fêz chorar a todos, fêz chorar até a mim que não tenho nada com isso.
VAI-ME a baixar da Terra-Fria aonde nunca tinha ido, para a Ribeira à frente da roga, de harmônio ao peito como um fadista. Depois fui contrabandear na raia, senti-me a desconjuntar lusitanamente os verbos, a ceifar na lomba, a saibra, a redrar, conforme a hora, conforme o tempo. Aportuguesei-me. Amiguei-me com Portugal. De cama, de mesa e de graça.
- QUE diabo de língua falas tu? - perguntou-me, em tom naturalmente altivo, um pastor que descia a Chaves.
E ao ouvir o mestre no centro transmontano, recordei-me de Rubem Braga, a dizer a Rachel de Queiroz que a língua portuguêsa emigrou para o Brasil quando estava no apogeu - e em Portugal ficou apenas um dialeto falado por um grupo reduzido. Até Camões é mais Camões recitado por um brasileiro. Camões em ritmo português é Camões de pé-quebrado, diz a presunção brasileira. Mas não é possível descrever a Portugal e muito menos ao melhor que Portugal que está atrás dos montes, onde se grita ao lá de fora: - Entre quem é! - Não se pode pintar a êsse quadro com as nossas tintas. São fortes demais na luz. São fracas demais na côr.

NAQUELA noite, em que, pela primeira vez, me levaram pela palavra para além do Marão, a sala teve sol e neve. Como um hipnotizador, o gênio transmontano, carrancudo e generoso traçou para cada um o rosto da amada perdida. Fê-los subir, a todos, o outeiro da memória. Acendeu na alma de cada um o fogo dos arraiais distantes. E todos, agachados, ficamos a ouvi-lo, como a um pajé misterioso que estivesse a cortar fatias de lembranças. Não, não era uma descrição, era uma comunhão, onde eu, como um maometano que não sou entre cristãos que não eram, vinha juntar-me. Quem era de Vila Flor passou mentalmente a apanhar azeitona na sala. Do Romeu, a descascar sobreiros. De Favaios, a cozer trigo. Do Vimioso, a escavacar pedreiras. Mas, eu?
- De onde é o amigo?
- Do Jaú.
- Pois entre no grupo. Entre como se fôsse de Freixo. Entre na roda e coma amêndoas. Queria ficar de fora, o grande marôto!
-E nós, santinho? Somos de Pinhãocelo.
-De Pinhãocelo? Vamos, aparelhe os machos e ferre-lhes com a carga em cima. Depressa! Pena não haver ninguém de Pocinho. Há? Ó criatura de Deus, salte para dentro do rabelo e agarre-se à espadela. Mas cuidado! O cachão da Valeira é traiçoeiro. Apegue-se a S. Salvador do Mundo.

E ASSIM, dentro daquela sala em cuja ampliação agora estou, Torga, naquela noite, teve seu reino animado. Os rios com barcos e barqueiros, as serras com rebanhos e zagais, os lameiros com charruas e labradores. Todos olhavam orgulhosamente, transmontanamente, para êsse reino viril de homens viris. Nenhum outro reino mais belo, mais castiço e mais aberto. Entre quem é! Nenhum outro reino tão capazmente servido pelo seus filhos nem tão devassado, tão escancarado para os que chegam de alma aberta. Entre quem é! A beleza de lá não tem maneirismo, nem o catecismo de lá é arcaico, nem a fundura dos horizontes de lá significa perdição no vago, nem os sentimentos dos habitantes são mesquinharias. De Trás-os-Montes, perdoem-me os outros, Portugal exporta o melhor.
DE Sabrosa ao Pinhão, do Tua a Bragança, da Régua a Chaves, de Freixo a Barca de Alva ou em Boticas, é o que se vê: sempre o mesmo lençol de fragas e a mesma gente a nascer nêle. A fisionomia dos relevos, a máscara enrugada das penedias, a estimulante largura dos descampados corrempondem no humano a uma fisionomia igual, recortada em granito, máscula, austera, e, ao mesmo tempo, viva e generosa. Ouço ainda a se dizer naquela sala, dentro da qual coube um pequena leira lusíada, que o destino quis que houvesse no tôpo uma costeira, onde tudo tivesse caráter e dignidade. Onde a vista pudesse desfrutar dali perspectivas originais, onde a enxada pudesse mostrar na dureza dos torrões a dureza do aço, onde o fole do peito se enchesse por inteiro a cada respiração, onde todos os sêres ali nascidos ou ali vividos estivessem à altura.
PORTUGAL encontrou em Trás-os-Montes o seu telhado, a lousa que lhe resguarda as virtudes, a saúde física e moral, a tenacidade mourejadora (sempre os mouros do meu sangue), a pureza dos costumes e a expressão mais nobre e acabada das feições interiores, a mais severa e desassombrada parcela da pátria, a mais estremada expressão do seu povo. A capa de honras daquele mirandês que ali aparece não é um trajo de festa, mas o paramento dum sacerdote laico da dignidade. A louça negra que nos vende êste oleiro de Bisalhães não é, como parece, apenas barro amassado e cozido, mas o lado noturno da fome na sua expressão estóica, porque existe um Portugal pobre, que luta e sofre, a catar os seus próprios meios, a viver com os seus próprios recursos, mas um Portugal que não pede esmolas nunca.
VAI puxando lá embaixo o rabelo à sirga, um môço vai picando a junta de bois ou abrindo a valeira na teimosa persistência. A admiração alheia é apenas um estímulo para prosseguir. O transmontano sente a perfeição interior. Sem favor algum, é perfeito desde a meneira de estender uma tigela de caldo a um pobre, à larguesa de abraçar um amigo - ou em concretas obras-primas de sabor, de graça, de habilidade e de figura. E até de grossura, diria eu, ao colhêr dessa epopéia escrita a enxadão tôda uma filosofia condensada num provérbio de sabedoria velha. Quem tripas comeu e com viúva casou, sempre há de se lembrar do que por lá andou. Por lá andei, com viúva não casei, por isto trago apenas, de Trás-os-Montes, um gosto de saudade defumada, neste fim de viagem.


Se pretender juntar-se a gente de valores não hesite vá ao referido blog e faça parte deste grupo,
em   http://atoa2014.blogspot.pt/

domingo, 28 de setembro de 2014

PASSOS A CONTRA-PASSOS COM CAUTELA DE FORMA TECNO

O caso Passos Coelho, fez correr muita tinta e não acredito que a tinta se tenha acabado, por isso continuará. Espero bem em abono da verdade.

Os contra-passos e demora no esclarecimento do 1º Ministro no caso Tecnoforma, quer seja por falta de memória, que afinal acabou por se lembrar passado algum tempo no Parlamento, ou por espera de novos desenvolvimentos como o esclarecimento da Procuradoria Geral da República, de que o caso estava prescrito e não haveria qualquer procedimento judicial, por esse efeito, ou nunca se sabe a procura de soluções para dar uma resposta convincente, o que é certo é que o caso não  ficou devidamente esclarecido, pelo menos para mim. 
Se haverá mais alguma coisa para contar ou receio de ser contada, a suspeita fica no ar, com muito para ser melhor esclarecido.
Numa espécie de "gato escondido com o rabo de fora", vale a palavra do Sr. Primeiro Ministro, de que é uma pessoa remediada e que as contas dele não as mostra a ninguém. 
Pois  eu mostro as minhas, basta pedir.
Quanto à história de um tal Vasco, denunciante cobarde, que vale mais a sua palavra que a palavra de um 1º Ministro; ai vale mais uma denuncia mesmo cobarde que uma não denuncia. E acho mesmo que já é de muita coragem nos tempos que correm.
Talvez fosse altura de olhar em redor e tentar perceber a opinião deste povo acerca da seriedade dos políticos. 
Mas quanto à Tecnoforma, realmente ainda não consegui entender.
Aquilo era um projeto sério? 
Era um Mecenas? 
Mas ao que se diz, tinha contas “escondidas” num offshore e recebia dinheiros de petróleos de Cabinda. Hum. Só daí já perdeu da minha parte a seriedade, porque quem é sério não esconde contas assim, a meu ver.  
Criou-se um Centro Português para a Cooperação (CPP), em que os responsáveis de uma empresa eram ao mesmo tempo mecenas na outra (Tecnoforma) e funcionava tudo no mesmo edifício?
Que promiscua confusão?
Afinal eram coisas diferente mas estavam todos agarrados ao mesmo!
Passos Coelho presidia a uma empresa e recebia ajudas de custo da outra? Daí ele não se lembrar de tamanha confusão.
Que mecenato tão invulgar! Não será no mínimo estranho? 
Mas esse CPP para que servia?
Diz-se que foi criada para abrir uma universidade em Cabo Verde e abrir portas na cooperação com os PALOP, sacando fundos comunitários?
Estão a ver essa dos fundos como a coisa funciona!
Mas tudo foi criado para sacar fundos da UE? 
E Passos Coelho tinha essa função, facilitar a entrada desses fundos?
Já a história da criação da Tecnoforma, para ir buscar fundos comunitários, para a formação na história do aeródromos, onde andou José Relvas metido no meio da confusão, como tanto se falou, que benefícios deram ao País?
Que o CPP servia para receber dinheiros da Tecnoforma já se sabe; fala-se em um milhão por ano.
Mas com que finalidade Passos Coelho ajudou a fundar o CPP de onde diz que recebeu reembolso de despesas, enquanto deputado em exclusividade?
O que é certo é que ninguém sabe das contas do CPP nem da Tecnoforma, nem como foram pagas a Passos Coelho (a não ser acreditar na sua palavra), quer fosse em vencimentos ou em reembolsos enquanto deputado em exclusividade ou não.
E os outros mecenas do CPP, ninguém os conhece? Não aparece nem mais um nome a financiar aquilo? 
Que estranho!

Passos Coelho pode até conseguir travar isto e tudo ficar por aqui, não fico esclarecido.
Por uma questão de ética e transparência para esta democracia que cada vez está mais enevoada, onde já ninguém acredita nos senhores que comandam os destinos do país, exige-se clareza.
Senhor 1º. Ministro a mim não me convence e duvido que convença alguém que tenha sede de verdade.

Com a respostas dadas, a esconder-se debaixo das mantas bancárias, o streptease da tinta e as suspeitas vão continuar.
Quem tem complexos do corpo que tem arranja sempre desculpas para não ir à praia e parece-me que aqui é a mesma coisa, quando se escondem as contas...as tais gordorinhas!
Sr Primeiro Ministro faça lá um streep-dance dessas contas e acabe com as dúvidas para bem da credibilidade dos políticos, se é que ainda é possível!

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Uma facada pelas COSTAs só porque é inSEGURO



É a americanização da política. Abrir o PS a simpatizantes, como que a querer dar algum elan a um partido onde os líderes já não convencem, tal é a falta de credibilidade dos políticos.

Quanto à estratégia de um com os pesos pesados do partido, quer do outro pelo peso que sentia nas federações distritais, o que é certo é que tiveram que ressuscitar os militantes mortos, pagando-lhes quotas com dinheiro vindo sabe-se lá donde. Mas mesmo assim a participação é desmotivante e já nem com simpatias nem com mortos lá vai.

Só falta ao PS fazer uma recolha de fundos à Americana, porque por aqui afinal os interesses económicos financiam os partidos do poder mas às escuras, como se divulgou agora no caso BES.
Mas quem são estes candidatos?
Costa foi o homem mais forte do Governo de Sócrates, que este decidiu empurrar para a Câmara de Lisboa, antes que lhe ofuscasse a liderança quando se sentiu ameaçado, convencido que o poder se perpetuaria no alto da sua arrogância.   
E Costa que não podia dizer que não, foi mas sem antes deixar o cunho da sua personalidade no MAI, correndo com um sindicalista da PSP de forma prepotente só porque disse que queria cortar a ponte e mandar o outro para o Quénia.
Costa é o sectário que empurra os funcionários que não são do partido para as Freguesias, fazendo uma reforma administrativa da Câmara, com ameaças que quem não aceitar vai para a rua. Tudo isso por telefone para não deixar rasto, segundo se diz. Primeiro a mobilidade e depois o despedimento.
Quanto a promessas de governo, Costa já não as faz, porque o povo está farto de falsas promessas, mas também porque não as pode fazer.
Ele sabe muito bem que a única coisa a que se pode propor é a mudança de um pormenor ou outro, de resto a politica vai ser a mesma. A asfixia social que temos assistido, com mais impostos, desemprego, precariedade e desprezo pelas pessoas.
António Costa,  soube-se resguardar, esperando pelo momento de assalto ao PS. Um camaleão da politica, que aparece agora com o argumento de que Seguro não foi uma verdadeira alternativa nas suas propostas e não soube ser oposição ao governo. No fundo que foi um líder fraco, sabendo nós que de certa medida concordava com as politicas do governo, mas não foi capaz de mostrar uma outra alternativa que não tinha, titubeando de tal forma que esteve quase a cair no engodo de Cavaco e aceitar ir para o Governo. 
Mas Seguro é assim mesmo, nunca se lhe viu uma verdadeira proposta para o país, a não ser o admitir que estava amarrado ao passado do partido e não renegava Sócrates pelo acordo firmado com o FMI e UE depois de falhar o pack 4.
Seguro só agora depois de ser “apanhado com as calças na mão”, após resultados eleitorais fracos e ver a sua liderança ameaçada é que veio prometer não subir impostos se for governo, mas pouco mais que promessas absurdas em desespero de causa porque mais nada tem a dizer.
Seguro refugia-se nas acusações a Costa de traição e de ter ficado à espera não avançando quando o PS estava mal.
Mas também sabemos que ele por ali andou pelos cantos, “calado como um rato” à espera que Sócrates caísse, sendo que a primeira coisa que fez mal Sócrates perdeu as eleições foi apresentar-se como candidato.
Lembram-se? Nem deu tempo a qualquer suspiro.
Costa a velha raposa, sabia bem que não era o momento e esperou até agora.
Mas ele tem o cunho do governo de Sócrates, que significa a continuidade das velhas politicas de Guterres que tanto se orgulhava. De ter colocado Portugal no Pelotão da frente, do Euro, tendo depois que abandonar o Governo que mais parecia um saco de lacraus, refugiando-se na ONU.

O PS é também agora um partido de novos tecnocratas mas do velho poder, onde se amontoam oportunistas e delapidadores do estado que de vez em quando saltam para os jornais e alguns se arrastam pelos tribunais, esquecendo os seus princípios ideológicos, já desde o tempo de Mário Soares que meteu o socialismo na gaveta, funcionando no principio e interesse dos mercados de capitais de meia dúzia de empresas que dominam o mundo, onde se arranjam uns tachos.

Enquanto se digladiam os dois, cresce a alternativa Marinho Pinto.
O populista e oportunista que se agarrou ao MTP para se lançar na politica e agora vai abandonar sem escrúpulos nem respeito a quem lhe abriu a porta. A esperança dos pouco esclarecidos que desencantados com estes políticos ali descarregaram a  sua revolta. Mas que já se prepara para criar um partido onde de certeza roubará votos ao esfrangalhado PS que sair deste duelo interno e à coligação do governo que concorrerá às eleições após esta mascarada abordagem aos distraídos neste ultimo período de governo, com alívios eleitoralistas e mais falsas promessas.

Um promete pouco ou nada em derradeiro desespero outro nem pouco apresenta, como se ninguém entendesse que as suas interiores promessas é a avidez e a glória do poder.
Quem governará no futuro?
Uma coligação do PS com uma espécie de partido “Livre”, que acabará por não ter condições de governabilidade, empurrando Costa para uma coligação alargada aos partidos agora no governo, ou então um grupo de tecnocratas desses partidos do arco da desgovernação com uma espécie de Durão Barroso a 1º. Ministro, à semelhança de outros governos criados como na Grécia ou  Itália.
Não sei quem vai ganhar com isto tudo, mas sei que quem perde somos todos nós, porque no fundo pouco ou nada muda.
Mudam as moscas. 

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

AS NOVAS MEDIDAS DO BCE

O BCE decidiu alterar as taxas diretoras para 0,05%, um nível de baixa record, nuca visto na Europa. A par disso o super Mário (assim batizado o presidente do BCE), anunciou um programa de compra de ativos supostamente no valor de 500.000.000 euros ou mesmo um bilião, a empresas particulares, especialmente bancos.

Imitando  as iniciativas tidas pelo FED (americano) designadas por Q.E. (compra de ativos)  que dessa forma estimulou a economia norte americana nos últimos tempos, atrasando a nova recessão, que entretanto já anunciou o abrandamento dessa compra e a subida das suas taxas de juro à medida que os seus dados económicos se tornam positivos, vem agora o BCE tentar resolver da mesma forma os problemas económicos que assolam a Europa.
Com uma perigosa deflação que está a chegar, com níveis estruturais de desemprego elevados, com uma moeda forte a reduzir as exportações, a União Europeia corre o risco de entrar novamente em recessão, com um alerta já da parte de Itália e  França, com dados do PIB negativos e mesmo com a Alemanha a dar mostras de desaceleração económica, o Super Mário teve que intervir de forma drástica que surpreendeu o mercado.
Desafiou os governantes a fazerem algo pondo-se já a possibilidade de novos défices orçamentais para os estados  poderem estimular a economia, que no caso de Portugal só agravará a dívida já ida em cerca de 132% do PIB, agravando os nossos problemas, mas com uma Alemanha que sempre esteve contra, adivinha-se grande discussão.
As medidas para com os bancos que ali depositem o seu dinheiro com taxas negativas de 0,2% é outra forma de obrigar os bancos a investir na economia real através de empréstimos às empresas para estimular a economia, para não perderem dinheiro nos seus depósitos ali colocados.
Há ainda o compromisso, de o BCE só comprar os ativos se os bancos aplicarem esse dinheiro da compra, emprestando às empresas para estimular a economia.
A medida parece ser inteligente, mas o certo é que já nos EUA as empresas começam a viver dificuldades de vendas, pois a procura interna não dá sinais de recuperação porque no essencial o poder de compra é cada vez menor, com salários cada vez mais baixos e mais degradados e as exportações já tropeçaram, conforme vai acontecer na Europa.
Imitando esse caminho caminho acabará por daqui a uns tempos e após este programa ser aplicado, o único efeito que vai surtir será uma subida do valor das ações e outros ativos perigosos em forma de bolha a par de outras bolhas provocadas com o dinheiro barato, como o caso do imobiliário, pois tendencialmente o dinheiro que sobrar no mercado será canalizado para esses mercados, conforme aconteceu nos EUA com uma valorização exorbitante, correndo o risco de a qualquer momento a bolha estoirar deixando muitos investidores pendurados com ativos que podem perder valor num ápice levando a uma crise ainda maior, conforme se anuncia.
Por outro lado com estas medidas que forçam a desvalorização do euro acabam por constranger o dólar que ao valorizar em relação à  nossa moeda provocando desequilíbrios na economia americana que arrasta a Europa e obrigará a novas medidas por parte deles para contrabalançar as dificuldades nas suas empresas exportadoras, adivinhando-se uma disputa entre moedas, nunca esquecendo as outras como as asiáticas.

Assim esta “pescadinha de rabo na boca” só surtirá  efeito durante esse período de tempo de intervenção do BCE, acabando por não trazer resultados duradouros, uma vez que por um lado as próprias empresas se vão retrair no investimento porque não vão ver baixar os seus stocks, devido a que no essencial a política destes países não passa pelo estimulo ao emprego, a não ser pelas políticas de salários mais baixos, como acontece entre nós e com a precarização laboral. 
Se a maioria dos países da Europa continuarem a apostar em salários cada vez mais baixos, tentando contrabalançar a concorrência asiática e também devido à sua debilidade orçamental, passando só pelo aconselhamento à Alemanha na subida dos seus salários para estimular a sua economia, porque está bem financeiramente, não será o suficiente para recuperar o resto da Europa. Até porque a Alemanha não mostra vontade de o fazer e além de que Merkel não vê com bons olhos, serem os alemães a suportar esta política do BCE, a não ser que realmente eles entrem em derrapagem por causa dos problemas relacionados com a Ucrânia e Rússia, que acabará por afetar a sua economia.
A acrescentar a tudo isto ainda se juntam os problemas dos Jiadistas do Levante na Síria e Iraque que os americanos andaram a armar e agora têm que combater, tal é a ameaça para o mundo, exigindo agora à NATO um esforço financeiro adicional para armamento no combate àqueles terroristas, vivendo numa crise de guerra que derrete o dinheiro em armamento deixando os outros problemas de lado. 
Mas não parecendo satisfeitos ainda anda um tal Durão Barroso a incendiar a Europa a mando sabe-se bem de quem, a querer empurrar-nos para uma guerra com os Russos que nós não podemos suportar, mas que poderá servir para depois do desbaste de uma guerra fazer renascer das cinzas um modelo económico que já deu o que tinha a dar e que eles sabem que é a derradeira solução para a crise que criaram. 
Mas isso paga-se com muitas vidas e muitas mas muitas desgraças.
Seria bem mais fácil pôr a economia a funcionar, numa espécie de “Robim dos Bosques”, tirando aos ricos para dar aos pobres, bastando dar-nos salários condignos para  a economia  funcionar. Porque de outra forma sejam quais forem os estímulos serão sempre para os mesmos.
E o carrossel não vai parar numa espécie de montanha russa, com medos atrás de medos e nós todos a berrar.   
Já agora! Você emprestava dinheiro a quem não tem condições de o poder pagar? 
Pense nisso, que é o que os banqueiros vão pensar.     

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

DEVAGAR SE VAI AO REGO

O Tribunal Constitucional, acabou de aprovar a nova lei que causa mais um saque nos bolsos dos polícias.
Os agentes da PSP e GNR vão passar a descontar mais 1% para os subsistemas de saúde, passando de 2,5 para 3,5%, quando já são lucrativos.
Após nos tempos do primeiro ministro Cavaco Silva se ter dado início a estes sucessivos aumentos nos descontos para a saúde das forças de segurança, agora assiste-se, não só ao assalto dos  vencimentos dos polícias, ou saúde que é óbvio, mas essencialmente uma espécie de "último round" a estes subsistemas de saúde.
Partindo do princípio que a saúde é um direito constitucional, por isso se pagam os impostos, a par do ensino, etc, hoje em dia pagamos cada vez mais e negam-nos mais ainda esses direitos, a ser o Estado um mero cobrador de impostos, esquecendo-se das suas obrigações.
Sabendo que as condições de penosidade e de prontidão dos polícias obriga a que se tenha um sistema de saúde conveniente a essas funções, assim tinha sido criado, por consciência desse desgaste na saúde, vêem agora estes governos a destruí-lo aos poucos.
Após suspeitas de mau controlo das despesas nas contas públicas que aconteceram por todo o lado, com a inoperância e complacência dos governos para com os que tanto beneficiaram com os mais diversos esquemas, criando-se generosas fortunas entre aqueles se ali se acoitaram, vêm agora os polícias e militares pagar também por isso com a sua saúde.
Os acordos e protocolos com as várias entidades, cada vez limitam mais as forças de segurança no acesso à saúde, de certa forma alarmante nas zonas interiores, que já não têm onde se socorrer, vem agora este aumento dar mais uma penada nos ordenados criando condições para a fuga deste ultrajante roubo no subsistema de saúde.
A partir de agora estão criadas as condições para que se permita que os polícias e militares optem por este subsistema de saúde caro e ineficiente ou por um sistema de saúde privado que aparentemente será mais barato, mas que permitirá criar condições para a destruição e eliminação destes subsistemas.
Os centros de saúde e hospitais públicos, são universais, e os polícias não hesitarão em trocar os seus sistemas de saúde, por um seguro para pouparem dinheiro, sabendo de antemão que ao público eles também têm direito porque para eles também pagam e complementam assim com o seguro de saúde particular, conforme lhes convier, depois de fazerem as suas contas.
O estado ficará com essas despesas maiores, que são doenças mais graves que o privado não tem “know how”, nem quer socorrer, além de que é oneroso para os seus lucros necessários, limitando-se a consultas, análises e pequenas cirurgias.
Depois empurram-nos para o público como já o fazem, aplicando garantias e cauções exorbitantes nos internamentos e cirurgias que não podemos pagar, aumentando ainda mais as custas para a saúde no Orçamento de Estado, e levando à debandada de pessoas desses subsistemas com perdas avultadas para o Estado e criando até mesmo condições para que eles sejam extintos o mais rápido possível.
Com estas medidas estão assim preparados para que sem alaridos e criticas, aos poucos se destrua o sistema de saúde de uns e de outros, beneficiando os privados.
Eles são mesmo espertos, em vez de serem eles a fazer ainda nos põem a nós a escolher.
Mais a mais os presidentes dos sindicatos já caíram no engodo e já defendem os sistemas de seguro privados, dando o primeiro ingénuo passo.

Só espero que não aconteça uma doença grave aos que defendem a mudança. 
Quero ver o privado a esvaziar-lhes a carteira e depois terem que recorrer ao público “se ainda houver".