sábado, 7 de fevereiro de 2015

HEPATITE C versus NEOLIBERALISMO

"Pagar uma fortuna para aceder ao medicamento não nos parece uma coisa equilibrada". 
Foi com estas palavras que fiquei de boca aberta relativamente ao nosso Primeiro Ministro.
Entrevistado por causa dos doentes da hepatite C, Passos Coelho respondeu assim.
Este defensor do neoliberalismo, patrono das políticas conservadoras e da economia privada, vem agora insurgir-se contra uma empresa norte americana de medicamentos que comprou a patente do medicamento da cura da hepatite C.
Não entendo como se defende este modelo económico e depois se ataca com o não lhe parecer equilibrado o preço do medicamento.
Mas não é assim que funciona o neoliberalismo puro que ele defende?
Tirar o máximo lucro com o mínimo do investimento possível, ou melhor, o conhecido chavão da “maximização dos lucros”.
Se assim é, Passos Coelho só tem é que aplaudir e não contestar. Afinal é a política  que ele defende.
Então uma empresa arrisca a compra de uma patente faz o seu investimento e depois já não pode sugar-nos o dinheiro?
Assim não é neoliberalismo?
Será que Passos Coelho, não percebe esta sua dualidade de critérios? 
Defende as regras do capital mas quando toca ao seu governo pagar, antes prefere deixar morrer pessoas?
Nos EUA todos os meses são inventados montes de medicamentos e vendidos a estas farmacêuticas sanguessugas que retiram deles o máximo lucro em função das debilidades da saúde dos doentes.
Negócios chorudos que acabam por criar novos ricos à medida que são lançados os produtos pelas farmacêuticas nas bolsas de negociação americanas, algumas com valorizações mesmo super astronómicas, em função do tipo de medicamento e da doença.
Já imaginaram a cura do Ebola nas mãos desta empresa? Só se safavam os ricos.
Isto é, as doenças são um negócio pornográfico, altamente  lucrativo para as farmacêuticas, mas Passos Coelho, não queria entrar neste negócio do modelo económico que ele acerrimamente defende!
Depois do burburinho criado à volta da doença da hepatite C e vendo o Governo na vergonha em que se estava a meter veio agora dar a mão à palmatória remediando e fazendo engolir a Passos Coelho, aquilo que tinha dito, em nome das eleições à vista, porque as vidas para ele devem-se reduzir a menos doentes, mas menos doentes com mais mortes, e mais mortes com menos peso para as despesas no Ministério da Saúde.
Agora percebemos que as vidas afinal para estes senhores afinal têm um preço e neste caso o preço da indignação que crescia pelo País inteiro.
Sendo assim fizeram o acordo de preço cobrado pela farmacêutica norte americana Gilead para curar doentes, que se baseará não no medicamento mas no doente curado pelo medicamento. 
Os custos não foram revelados e eles lá saberão porquê.
Demorou a negociar. Mas logo no dia seguinte, após o vexame sucedido na Assembleia da República a Paulo Macedo, tudo se resolveu.
O Governo gastará dezenas de milhões de euros diz o Ministro, para curar 13 mil doentes, que entretanto estava a querer ver morrer, conforme já aconteceu nestes três anos a 250 pessoas com essa doença.
Estes senhores sempre foram peritos e furar as leis da República e neste caso o Artº 64, da CRP.
E não pensem que seja apenas e só uma doença de sexo ou drogas. A doença pode-se transmitir numa transfusão de sangue, num piercing até. É uma doença da sociedade como outra doença.
Por causa da recusa do Governo em gastar tanto dinheiro, morreram pessoas úteis à sociedade e sobretudo às suas famílias.
As pessoas morreram por questões administrativas, opções do Governo em não gastar dinheiro.
Isso consubstancia um ato ilícito, que a meu ver pode ser enquadrado na não prestação de auxilio ou mesmo homicídio por negligência. E nos casos dos que ainda não faleceram mas que tiveram que fazer transplantes de fígado por falta do medicamento, consubstancia também o crime de ofensa à integridade física grave. Parece-me claro!
Os nossos governantes parecem terem-se comportado como criminosos no que diz respeito à lei fundamental do País e ao Código Penal. 
O que parece faltar aqui é uma queixa crime, pelas ilegalidades em nome de má gestão de recursos financeiros que se sobrepunham a vidas humanas.
Será que é desta que vão à barra dos Tribunais, responder por isto?
Uma vida não tem preço a não ser para este governo, que só arrepiou caminho quando percebeu que já lhe era mais prejudicial não comparticipar o medicamento do que deixar morrer pessoas. 
Só assim eles entendem, quando os gritos desesperados das pessoas se levantam e falam tão alto que nem eles nem ninguém os conseguem abafar.
Foi isto que aconteceu, senão muitas vidas continuariam a perecer por causa da poupança cega, quando nestes últimos tempos se fizeram tantos ricos e sabe lá Deus como.
Tenham vergonha.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

A PT (que era de) PORTUGAL

A empresa de telecomunicações PT Portugal, foi hoje a mais uma Assembleia-geral de accionistas.
A razão prende-se com a venda da empresa por parte da Oi (brasileira) à Altice que parece que é francesa, mas não se sabe bem, porque aquilo pertence a esses fundos que especulam no mercado, ganham uns milhões à custa de empresas produtivas e depois as compram muitas vezes por “tuta e meia” e as tomam para darem ainda mais lucro. Não acrescentam valor às empresas, até porque reduzem nos investimentos e trabalhadores. 
Mas vamos lá entender a triste história da PT!
Era das empresas de maior orgulho nacional e dava milhões de lucro ao Estado antes de ser privatizada.
Mas com estas politicas liberais e mercantilistas vendeu-se, não só porque é a lógica destes governos da economia onde estamos integrados que nos obriga a vender para sermos sugados pelos maiores, mas também porque a privatização serviu para embolsar  grandes quantias de dinheiro para os Orçamentos do Estado e assim disfarçar os desgovernos ao longo destes anos. E quem não se lembra da inclusão até no O.E. do fundo de pensões da PT no governo de Sócrates, para mascarar o deficit do O.E.!
Agora depois de tanta coisa dita sobre esta empresa que era de referência a nível internacional o que lhe está a acontecer?
Tudo do que era menos esperado!
Aqueles que se vangloriavam da sua gestão recebendo milhões, como Zeinal Bava e Granadeiro, que chegaram a ser condecorados pelo Presidente da República; aliás este Presidente parece escolher sempre os que estão do lado errado, pelo menos em termos de gestão de dinheiros e esses mesmos foram também os que arruinaram a PT.
A menina bonita dos portugueses, depois de tantas trapalhadas, desde as fusões e “desfusões” com a Telecom espanhola, para a compra de telecomunicações brasileiras, passando pela oferta de compra da Sonae e Isabel dos Santos, dos investimentos feitos que foram maiores do que era permitido para as suas posses, dos medos de ser comprada por este ou aquele por ser apetecível, acabou por fazer o negócio mais ruinoso possível.
Vamos lá ver se entendemos as contas do negócio!
 A PT faz uma fusão com a Oi que estava aflita com as suas contas, por estar super-endividada.
Bem a PT também tinha dívidas, mas era uma operadora inovadora em diversos sentidos, tinha um “core business” invejável, daí a ser apetecível, com um negócio essencialmente na comunidade de língua portuguesa e operava de forma estratégica em grande parte do atlântico norte, em múltiplos países de língua portuguesa e mais alguns.
Não satisfeitos e com essa vontade desmedida fizeram o negócio com a Oi.
Só no negócio feito da PT com a Oi a PT perdeu em taxas de câmbio cerca de 1.000 milhões de euros.

A Oi é uma empresa carregada de dívidas. Cerca de 15 mil milhões de euros. Caiu em bolsa 88% e com isto arrastou a PT para a desgraça, com perdas de cerca de 90% devido à sua participação na Oi, com uma desvalorização de €4.200 milhões. Quanto ao negócio dos 900 milhões na RioForte, que afinal a Oi conhecia desde maio,  fez-se desconhecida como se veio a saber. Com isto desvalorizou a participação da PT no negócio de 37% para 25,6%, uma perda de 11,4%, quando a Oi já sabia de tudo, mas não se importou.
Não se importou porque entretanto já andava a negociar a venda da PT à Altice, dona da Cabo Visão, por 7.400 milhões de euros, estando-se nas tintas para os projectos de ambos querendo fazer apenas dinheiro com a PT, para saldar as dividas aos seus credores, que é isso que hoje se decidiu. A salvação por enquanto da Oi, com esta venda da PT.
A Altice o que quer é lucro e a primeira coisa que vai fazer é despedir, mas a PT é alimento de cerca de 30 mil famílias, que o governo não enxerga.
De seguida como não tem “know How” suficiente ou vende a PT a uma operadora capaz, ou faz uma fusão para reforço de capital para investimento ou vende as mais valias da PT a retalho, destruindo a  menina dos nossos olhos.
E os accionistas como ficam no meio disto?
O dinheiro fala sempre mais alto. Por isso os accionistas maioritários quizeram vender, mas parece que não vão receber nenhuma contrapartida no negócio. Sendo assim o lucro deles será a participação na Oi que está em vias da insolvência por causa das dívidas. Se isso acontecer não vejo porque razão aceitaram um negócio já inquinado à nascença.
Podia ser por patriotismo, mas o dinheiro não tem pátria e eles sempre têm a esperança de vir a não perder tanto com a venda da PT.
Primeiro porque um dos maiores accionistas é o Novo Banco, que é representado pelo Estado, na pessoa da CGD, Banco de Portugal e depois pelos outros accionistas do fundo de resolução para salvar o BES, que é o BPI e BCP. Eles querem  reaver o mais depressa possível o dinheiro enterrado no BES/Novo Banco, que tinha os tais 12,5% da PT.
Ora estes senhores votaram a favor da venda na esperança de um encaixe financeiro, para o fundo de resgate do BES. Os outros accionistas parece que votaram pelo mesmo caminho, que é a venda, como é o caso do fundo da Segurança Social.
Resta os pequenos accionistas e os trabalhadores que estão contra, porque o governo já veio pela boca do ministro da economia a dar entender que o melhor era resolver isso rapidamente e rapidamente é mesmo aceitar o negócio, porque para bom entendedor meia palavra basta.
O que se espera afinal da PT Portugal?
A desgraça, já que ninguém se importa com ela.
Só resta esperar pela sua desvalorização sucessiva em bolsa e quando chegar aos sete cêntimos por acção compre, que aí já será um bom negócio, nem que seja pelo nome e prestigio que já teve e quem sabe a Isabel dos Santos, a Sonae ou outros voltem a querer comprar a PT à Altice que fará um bom encaixe.
Entretanto 97% dos accionistas concordaram com a venda.

Que venha Cavaco a condecorá-los.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

PREVISÕES USA 2015

Nos EUA, as coisas parece que durante o ano de 2015 vão correr mais ou menos de feição, pelo menos no que diz respeito a dinheiro. Ali não vai faltar, não fossem eles quem faz os dólares, mas não será só por isso.
Com os planos de QE “Quantitative Easing” ao lançar dinheiro no mercado, possibilitou a recuperação económica. Contudo com o chamado cone, ao longo de 2015 o mercado começará a ressentir-se novamente e veremos até que ponto a FED será capaz de subir as taxas de juro para não abrandar o crescimento económico.
Mas para já as previsões são boas, por enquanto pois todos os esforços da FED estão a produzir os seus frutos, possibilitando a afluência de investimentos para aquele país estando tudo de olhos postos ali, aceitando passivamente o andamento dos mercados e da sua economia.
Mas há um sentimento de que essas medidas de lançar dinheiro no mercado poderá criar novas bolhas essencialmente no mercado de acções e mesmo imobiliário. Sendo que essa ilusão assusta muito americano que ainda não acredita na viragem e que pode estar a chegar o momento de pagar por essas medidas do “QE”. Pois os EUA estão com uma dívida astronómica e só resolvem os seus problemas aumentando a massa monetária, de resto tudo continua mal, pelo que qualquer tropeção pode atirar tudo a perder, que a nível de emprego, habitação, etc.
Pelo que a situação teme-se que seja negativa porque as medidas tomadas não são as devidas, mas sim o empurrar com a barriga um problema para o qual não encontram solução, nem sabem o que fazer, pois as perdas são potenciais para muita gente.
Posto isto a teimosia em executar esta politica, pode significar que se está à beira de uma derrocada, devido aos erros das medidas económicas decididas. Pelo que é necessário muita atenção para se reagir a esse risco, pois as medidas da Reserva Federal podem não passar de uma ilusão, estando à beira do abismo e necessário novas medidas mais eficazes. Pois as medidas não foram eficientes, aliás que o problema não passa por aí.

 Portanto e economia está agora mais livre e menos controlada pela FED, a partir do fim do “QE” mas a Janet Yelen terá mestria para segurar as pontas porque durante o ano acontecerão coisas inesperadas e fará com que o dinheiro seja muito para superar tudo isto.

PREVISÕES PARA A RÚSSIA EM 2015

A Rússia está virada ao avesso, com uma crise financeira. A queda do petróleo, a completa depreciação do Rublo e no meio de uma pressão especulativa, com inflação já incontrolada, apesar do esforço de Putin em segurar a moeda. Da subida das taxas de juro exorbitante, para fomentar a entrada de capitais dos oligarcas russos por o dinheiro fugir de uma forma alucinante. Mas sem mais nada poder fazer apesar da venda de reservas de divisas estrangeiras e de anunciar a continuação de negociações por causa da Ucrânia.
Este é o actual cenário dramático, em que todos os esforços nada resolvem.
Mas Putin e o seu povo está confiante e unido, com um grande sentido patriótico, que sempre tiveram, irão cerrar os dentes e aguentar como sempre aguentaram com todo o seu orgulho. 
Há uma comunhão muito grande que ajuda a cuidar as suas feridas, com serenidade e optimismo. 
Isso dará aos russos equilíbrio para construir uma nova etapa. 
Putin ganhará maior reputação, terá o apoio do povo e isso ajudará a recuperar a crise que está a atravessar. Putin acabará por tirar algum proveito especulativo na crise.
Todos estes contratempos ao longo do ano vão desaparecer e a Rússia adoptará um ritmo mais conforme e os contratempos chegarão ao fim aproximando-se um momento de mudança e de maior abertura ao exterior e abrir-se-ão novas perspectivas, sem contudo ter que engolir alguns sapos e ceder nalguns aspectos.
Haverá muito trabalho a fazer, com necessidade de abertura. Terá apoios e possibilidades de resolver os problemas encontrando soluções.
Haverá necessidade de criar riscos e saber que tem capacidades de resolver os seus problemas, procurando outras soluções com outros países que irão ajudar a Rússia a ganhar vitalidade.
A Rússia irá deparar-se com a sua força, terminando com alguma passividade até aqui, assumindo as suas capacidades bélicas.

Mas no computo geral a calamidade paira sobre a Rússia com a degradação na sua economia, a obrigar as pessoas a alterar completamente a sua vida e Putin a ter que mudar de estratégia, para evitar uma desgraça maior, porque ele sairá mesmo assim perdedor nas suas ideias e intentos, ao longo de 2015.

PREVISÕES EUROPA 2015

Num lançamento para a Europa nota-se que as coisas vão estar más no próximo ano.
Todos sabemos que a zona Euro está com sérios problemas, essencialmente de dívidas, com deficits elevados, a caminho de uma recessão generalizada, com o medo da deflação que se aproxima e agora ainda mais a crise com a Rússia.

A Europa não resolveu os seus problemas e ficará prisioneira deles. Semeará a discórdia, que trará intranquilidade à União Europeia, anunciando-se falsidade, dependência, submissão e vaidade de uns e outros.
Há como que uma grande determinação em resolver os problemas mas há falta de equidade e alguma perversão entre os governos, por causa da crise financeira. 
Resumindo não há harmonia.
Sente-se hipocrisia no risco de falência dos países e o fim da UE e isso vai-nos sair caro, por causa de tanta passividade em atacar a crise, que vamos acabar por pagar todos, com tanto imobilismo.
A crise irá alastra-se com o risco da falência da própria Europa, que está condenada ao fracasso.
Teremos um afastamento cada vez maior dos países que leva à instabilidade, fazendo com que os outros não entendam a Europa e afastam-se dela, virando-se para outros países e outras soluções de mercado à espera de dias melhores.

Fica uma Europa sem força colectiva e derrotada entrando numa espiral recessiva sem conseguir resolver os seus problemas com que se depara e a precisar de ajuda de outros países mais próximos.

A EU não foi suficientemente determinada em resolver os seus problemas e agora está a braços com uma crise financeira e de sobrevivência.