Tudo isto me faz lembrar “O Príncipe com Orelhas de Burro”.
Ou este governo é um governo de gente brilhante,
vinda das altas esferas celestiais ou então são mesmo uns anjinhos “papudos”,
vindos descarnados do submundo das trevas.
A bandeira de campanha eleitoral deste governo “não
ao TGV”, ditou para que se tivesse tomado a decisão histórica de não levar por
diante um projecto tão necessário e estruturante para o País.
Tudo isto a olhar para o eleitorado e o medo de
perder apoio social e votos nas eleições. É desta forma que os governos se
orientam. Juntam a incompetência ao medo de perder votos e o País que se dane e
os Portugueses que paguem o erro histórico de não desenvolver o país e paguem
essencialmente a factura de cerca de 300 milhões que vai cobrar o consórcio
pela indemnização, imputandos a Passos Coelho.
Parece que a prioridade do Governo é a aposta no
relançamento económico, por isso o desinteresse no TGV.
Mas como podem estas criaturas relançar a economia,
se estão a destruir a actividade económica e essencialmente o emprego. A
história do desenvolvimento industrial fez-se com o comboio, desde a Inglaterra
passando pelos Estados Unidos e Portugal mais tarde (sempre atrasados) em 1856.
O futuro dos transportes será inevitavelmente os
comboios modernos por razões económicas e ambientais, contrariando os
transportes rodoviários que foi a aposta errada das últimas décadas,
começando-se a sentir já os resultados.
Das duas uma, ou estes senhores sabem fazer muito bem
as contas e querem por o povo a pagar o erro da construção das auto-estradas,
não nos dando alternativas sérias financeiramente ou então são mesmo anjinhos.
Porque ao preço que está a gasolina e as auto-estradas, só pode ser para pagar
as PPP.
Depois de terem pedido às empresas do Consórcio, para
criar um projecto “low-cost” para o TGV
e de encontrarem alternativas para a não construção de uma nova ponte,
apresentando alternativas através da ponte 25 de Abril, para entrar em Lisboa.
Depois de encomendado o tal projecto alternativo que
eles pediam em linha de bitola europeia para que servisse o transporte tão
necessário em mercadorias, eis que estes brilhantes pensadores vindos das altas
esferas celestiais em conluio com o Tribunal de Contas (que exigiu tantas alterações
ao projecto adiando sempre o visto durante quase 4 anos) na véspera de reunirem
com os ministros, francês, espanhol e responsáveis da União Europeia, fazendo
assim a “panelinha” combinada pelos dois, o Tribunal de Contas dita a sentença «A
adjudicação a essa proposta foi um acto ilegal». E pronto fica o Governo
aliviado da pressão dos seus parceiros europeus, da opinião pública em Portugal
e dos partidos de esquerda, que como eles dizem, este projecto era dos partidos
de esquerda daí o estar condenado.
E assim se permitem que a Soares da Costa faça
despedimentos que podem ir até 1.000 trabalhadores conforme já autorizado pelo
Governo. A Edifer já entregue aos seus credores, acabe por falir também por o
projecto não ir para a frente, mandando para o desemprego 2.500 trabalhadores,
para não falar de outras empresas do consórcio como o Grupo Lena (a Brisa que tombou na Bolsa) e
outras empresas da construção que se seguravam enquanto mantinham a esperança
neste projecto para poderem continuar a sobreviver.
Desperdiça-se o aval e garantias dos bancos que em tempos
assinaram e apoiaram na sua construção que nunca mais se poderão obter, quer
pelas condições de juros na altura contratadas quer pela conjuntura económica
que nem eles nem o estado voltarão a ter.
E por falar em conjuntura digamos que as condições dadas,
era de financiamento a 95% do projecto a fundo perdido neste quadro
comunitário, coisa que nunca mais vão poder ter. Sabendo também que destes 78
mil milhões de euros financiados para o projecto só pagaríamos apenas 5%, cujo
dinheiro investido seria recuperado em valor superior em pagamentos para a Segurança
Social (que bem precisa) pelos trabalhadores e empresas ligadas só ao projecto.
Isto é! Um projecto que se pagava por si próprio, criava milhares de postos de
trabalho directos, fora os indirectos, que ajudaria toda a economia da região
por onde passaria e dinamizaria o país.
Para não falar nos 10.000 milhões que a Siemens podia financiar
no TGV, dito por eles.
Ficaremos mais uma vez a “ver passar o comboio” e mais uma vez a ver passar o futuro por seu
turno a “alta velocidade” do TGV.
Portugal pode perder quase 1.200 milhões abandonando
o TGV e vai ter que pagar ao consórcio cerca de 300 milhões (116,1 milhões de euros
até 2010 do governo Sócrates e o
restante 183,9 milhões da suspensão de prazos e modificações do governo Passos Coelho) que é quanto
eles no mínimo vão exigir.
Este governo pelo menos em contas está aprovado. Já
só me faz lembrar o BPN.
Como foi dito pela comissão dos transportes do
Parlamento Europeu, "seria não apenas uma pena mas um desastre perder
quase mil milhões de euros disponíveis" no âmbito do Fundo de Coesão.
Contas feitas, Portugal, desperdiça 78.000 milhões em
fundos vai pagar 300 milhões de indemnização. E fica sem nada. Fica a ver
passar os comboios dos “nuestros hermanos”
O consórcio é que já deve estar a fazer contas ao
dinheiro.
O PSD concebeu o TGV e quando se preparava para o parir cometeu um
aborto.
Pagos por nós, entre 2001 e 2010, o projecto
recebeu cerca de 115,9 milhões de euros de subsídios ao investimento, dos quais
cerca de 36 milhões provenientes da União Europeia.
É de abortos que falamos.
E como dizem os “Homens da Luta” (e o povo é que
paga).
É mesmo para dizer: “Estás a precisar de umas orelhas
de burro, amigo” acaba assim a fábula do Príncipe.
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